Impostos sobem para o máximo

Este ano, os residentes no concelho de Santarém vão sentir o agravamento de quase todos os impostos e taxas municipais para os escalões máximos. Além da derrama (1,5% sobre o lucro tributável das empresas) e do IRS (5%), que já estavam nos valores elevados, o Imposto Municipal Sobre Imóveis (IMI) vai subir 0,1%, atingindo o teto máximo. 

Estes aumentos são impostos pelo poder central, fruto da adesão da Câmara de Santarém ao Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), formalizada em setembro de 2012. Em 2013, a autarquia estima receber 24,5 milhões de euros através deste mecanismo de socorro criado pelo Governo para municípios em situação de asfixia financeira, a que se somam mais 19 milhões de euros através de um Plano de Saneamento Financeiro pedido para reestruturar a dívida à Banca.

O encaixe desta verba – 40 milhões de euros – será fundamental para a câmara combater a dívida de 91 milhões de euros. O atual presidente, Ricardo Gonçalves (PSD), diz que o principal compromisso do Executivo que lidera é "pagar a quem se deve", até porque a dívida tem feito mossa na economia local.

No concelho há dezenas de empresas e fornecedores com faturas em atraso há mais de dois ou três anos e instituições sociais, clubes desportivos e juntas de freguesia com subsídios regulares por receber, o que tem condicionado a sua atividade. A câmara já assumiu que os milhões do PAEL e do Saneamento Financeiro vão ser utilizados para saldar a dívida com os agentes locais, mas a candidatura aguarda ainda a aprovação da administração central.

DISCURSO DIRETO

"CARGA FISCAL TEM DE SER ALIVIADA", Zito Ferreira, empresário ex-pres. Nersant Santarém

Correio da Manhã – O facto de a câmara cobrar a derrama à taxa máxima é uma dificuldade acrescida para as empresas do concelho?

Zito Ferreira – É um imposto muito penalizador. Se os que querem investir e montar um negócio já não encontram grandes perspetivas de futuro, ficam ainda desmotivados. A carga fiscal tem de ser aliviada.

– Como é que a autarquia pode ajudar o tecido empresarial local?

– A exemplo de outras câmaras, baixar os impostos diretos que cobra às empresas, que são os agentes potenciadores de emprego a nível local.

– A crise está a fazer-se sentir em Santarém?

– Sente-se bastante. Há mais de 20 pavilhões vazios na zona industrial, o que significa menos empresas, e há cada vez menos comércio na cidade. A situação é muito preocupante.

fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/


publicado por adm às 20:48 | comentar | favorito
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