Consumo das famílias sofre em Julho maior queda em mais de 30 anos

O consumo privado em Portugal sofreu uma queda de 3,4% em Julho. Desde pelo menos 1978 que não se assistia a uma queda tão intensa, que ilustra o impacto das medidas de austeridade no rendimento disponível das famílias portuguesas.

 

As famílias portuguesas estão a travar o consumo de forma cada vez mais intensa, reflectindo as medidas de austeridade impostas devido ao pedido de ajuda externa e à alta do desemprego. 

O indicador coincidente do consumo privado, divulgado hoje pelo Banco de Portugal nos Indicadores de Conjuntura, registou uma queda de 3,4% no mês de Julho. Esta é a queda mais intensa verificada desde pelo menos 1978, primeiro ano para o qual há registos sobre a evolução do consumo das famílias portuguesas.

Julho foi já o oitavo mês consecutivo de quedas no consumo privado em Portugal, uma tendência que espelha as dificuldades das famílias portuguesas perante o aumento dos impostos e outras medidas de austeridade implementadas que têm impacto directo no rendimento disponível dos portugueses.

A queda registada em Julho supera mesmo o verificado em 1984, ano em que Portugal também esteve sob intervenção do FMI. Nos primeiros meses desse ano, o consumo das famílias desceu várias vezes acima de 3%, mas numa tanto como no mês passado (-3,4%).

E a situação tenderá ainda a agravar-se mais, pois várias medidas de austeridade não estavam ainda em vigor em Julho. Os transportes públicos subiram em média 15% em Agosto e o IVA na electricidade e gás subirá de 6% para 23% em Outubro. No Natal será a vez dos portugueses com vencimentos acima do salário mínimo perderem metade da remuneração. 

A queda do consumo privado é mesmo uma das principais justificações para a quebra da economia portuguesa este ano. O PIB português recuou 0,9% no segundo trimestre, em termos homólogos, um desempenho que o INE justificou com a quebra no consumo e no investimento. Ainda assim, as previsões da troika apontam para uma queda de 2,2% no PIB português este ano.

Economia acentua queda no início terceiro trimestre

A avaliar pelos dados hoje revelados pelo Banco de Portugal, o desempenho negativo da economia portuguesa acentuou-se no arranque do terceiro trimestre.

O indicador coincidente da actividade económica apresentou uma taxa de variação homóloga negativa de 1,6% em Julho, queda mais intensa desde Junho de 2009 e que compara com a descida de 1,3% verificada em Junho.

Este indicador está em queda desde Fevereiro, com a evolução negativa a acentuar-se em todos os últimos seis meses. Ainda assim as descidas actuais são menos intensas do que as verificadas na recessão de 2009, período em que o indicador recuou mais de 2% durante seis meses seguidos. 

Para ilustrar a queda no consumo privado, o Banco de Portugal cita a queda de 6,1% nas vendas a retalho no segundo trimestre. Já a queda no investimento é ilustrada com a quebra de 29,6% nas vendas de veículos comerciais ligeiros. As vendas de cimento das empresas nacionais para o mercado interno diminuíram 17,1%.

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/

publicado por adm às 22:38 | comentar | favorito