Eurogrupo quer descida da TSU e do IRS nos próximos cinco anos

Depois da austeridade orçamental é preciso forçar a implementação de reformas económicas. Uma delas é, na opinião de Jeroen Dijsselbloem, a redução dos impostos sobre o trabalho a cargo das empresas e dos trabalhadores: TSU e IRS. Em Portugal, o custo que mais interfere com a competitividade é a taxa social única (TSU), que serve para financiar os subsídios de desemprego e as pensões. Este alívio terá de ser acompanhado por uma reforma dos próprios sistemas de pensões públicos, sublinhou o alto responsável.

Atualmente, a TSU nacional está em 23,75% para o empregadores e 11% para os trabalhadores. O governo anunciou recentemente que irá subir o encargo sobre os trabalhadores no próximo ano em 0,2 décimas para ajudar à sustentabilidade do sistema de pensões.

 

Quanto ao IRS, está numa nível muito elevado depois do "enorme aumento de impostos" de Vítor Gaspar, em 2013.

No Fórum BCE, que decorre em Sintra, o presidente do Eurogrupo frisou que "a próxima fase tem de ser reformas económicas" porque "1% ou 1,5% de crescimento é claramente insuficiente".

Para o responsável máximo do conselho de ministros das Finanças do euro, "os governos nacionais têm de ter responsabilidade, avançar nas reformas".

"Temos de ver que impostos podemos baixar nos próximos cinco anos. A carga sobre o trabalho ("tax wedge") tem de descer nos próximos anos". À margem do evento, disse aos jornalistas que isso deve ser feito logo que haja margem orçamental. Estaria a referir-se sobretudo à necessidade de "promover a competitividade das empresas", algo que depende diretamente do nível da TSU, os descontos pagos pelos patrões (público e privado) para a Segurança Social.

Dando como exemplo alguns países, entre eles Portugal, o holandês queixou-se que "o mercado de trabalho continua muito rígido".

Por isso, argumentou, "não há soluções rápidas para fazer descer a dívida". Soluções rápidas para puxar pelo crescimento só com reformas estruturais.

Barroso "bem recebido" em Portugal

O presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, concorda com Dijsselbloem. Começou por dizer "obrigado a Mario Draghi por me ter convidado a estar aqui no meu próprio país, onde me sinto sempre bem recebido". Retirou alguns sorrisos à audiência.

O ex-líder do PSD comentou os resultados das eleições europeias, referindo que "se quisermos estabelecer uma tendência é que as pessoas pensam que já não temos controlo, que as elites não controlam, incluindo a elite financeira".

Para Barroso isso é uma sinal dramático de que "o nível de confiança na liderança política esta a cair dramaticamente" ainda que "as pessoas, em média, confiem mais nas instituições europeias do que nas nacionais".

A solução para a crise política passa por ir até ao fim nas reformas institucionais e económicas, insistiu.

"Existe risco de complacência nas reformas. É fantástico o que foi conseguido internamente, inclusive neste país, mas também na Irlanda", mas na opinião do presidente da CE é preciso muito mais.

"Com a união orçamental, com o six pack, avançámos muito, temos hoje a possibilidade de vetar o orçamento de um país antes dele ser submetido ao respetivo parlamento", temos o "BCE como supervisor único dos bancos".

Mas agora é preciso mais trabalho na integração política, dos governos. Aí, admitiu Barroso, "penso que hoje não há grande apetite em alguns Estados em relação a maiores avanços na integração, exceto na união bancária".

Deu depois dois exemplos de mercados onde é preciso mais reformas. "Continuamos sem ter um mercado único para a energia e o digital."

 

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/e

publicado por adm às 20:20 | comentar | favorito
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