Comércio: Calor prejudica vendas de vestuário e calçado e atrasa produção nas fábricas

O prolongamento do calor está a prejudicar as vendas de vestuário e calçado, a abrandar a produção nas fábricas e a tornar mais provável uma antecipação das promoções de inverno, segundo a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).

“A alteração do clima está a trazer dificuldades ao comércio. Se o verão se prolonga e entra pelo outono, como é o caso, os consumidores não compram artigos de inverno, o que atrasa as vendas e afeta toda a programação de encomendas nas fábricas”, afirmou à Lusa o vice-presidente da CCP, Vasco Melo.

Representando cerca de 600 fábricas em Portugal, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) reconhece a existência de dificuldades na produção e admite uma “grande quebra” nas encomendas.

“Já vivemos uma situação de dificuldades e é extraordinariamente negativo o prolongamento do verão, cujo efeito imediato é uma grande quebra de encomendas”, disse João Costa, presidente da ATP.

As fábricas estão a “abrandar” a produção, acrescentou João Costa, justificando que as marcas só vão voltar a fazer novas encomendas aos fabricantes depois de escoarem os produtos à venda nas lojas.

A CCP não tem ainda números sobre as vendas das últimas semanas, mas admite que os lojistas não estão a conseguir escoar produto e que isso pode afetar o comércio dos próximos meses.

“Se as vendas começam mais tarde, vende-se menos. Os comerciantes, ao verem que as coisas não estão a correr bem, começam a pensar fazer promoções mais cedo, o que não é bom pois logo a seguir são os saldos”, que têm lugar ainda antes do Natal, explicou Vasco Melo.

Mas o prolongamento do calor nem sempre é mau para o comércio. O vice-presidente da CCP reconhece que até é benéfico para o setor, exceto no que respeita a roupa e calçado.

“Para a generalidade do comércio de rua o bom tempo é favorável pois chama consumidores às ruas, para verem montras e eventualmente fazerem compras. Favorece também a vinda de estrangeiros a Portugal e estes também compram. Só mesmo para os setores mais ligados à moda é que é muito prejudicial”, concluiu Vasco Melo.

fonte:http://noticias.sapo.pt/i

 

publicado por adm às 22:54 | comentar | favorito