Quanto custa o fim da taxa intermédia do IVA num cabaz de compras

Se o Governo avançar com a eliminação da taxa intermédia de IVA, os portugueses passarão a pagar mais nas suas compras numa série de produtos alimentares, já que uma boa parte deles passará de uma taxa de 13% para 23%.

A Lusa foi às compras ao Continente 'on-line' e escolheu produtos que provavelmente passarão de uma taxa intermédia do IVA para a taxa normal e a conclusão é que, do cabaz de produtos escolhidos, os portugueses passarão a pagar mais 1,89 euros com o aumento do imposto. Ou seja, no total de onze produtos taxados actualmente a 13%, caso a taxa fosse de 23%, pagariam mais 1,89 euros, caso a eventual subida do imposto venha a ser repercutida no preço final de venda ao público.

Assim e seguindo a lista II das taxas do IVA, os produtos mais afectados são as frutas em calda, os frutos secos, os óleos alimentares, o café, as refeições congeladas e o vinho. Por exemplo, o café Delta, português e líder de mercado, fixado hoje em 2,19 euros, passaria para 2,34 euros.

Um dos sectores que já veio demonstrar preocupação foi a indústria do vinho e esse também seria afectado se o Governo confirmar a possibilidade de subida da taxa do IVA. Por exemplo, uma garrafa de vinho tinto Esteva passaria dos actuais 2,71 euros para os 2,90 euros.

Há dez dias, a ministra da Agricultura disse ter falado com o seu colega das Finanças para o sensibilizar para a necessidade de as alterações fiscais em estudo "ajudarem o sector do vinho". Assunção Cristas disse, na altura, que sensibilizou as Finanças "para a necessidade de não termos um enquadramento que desfavoreça este sector, que é muito importante para agricultura portuguesa".

Em conclusão, no total de onze produtos comprados hoje pela Lusa no Continente 'on-line', a despesa foi de 19,91 euros. Caso a taxa de IVA fosse de 23%, os portugueses pagariam 21,59 euros.

Em entrevista à RTP o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que não pode garantir a manutenção da taxa intermédia do IVA, actualmente nos 13% e acrescentou que a eliminação dessa taxa "é uma possibilidade", mas "não é uma decisão que já esteja tomada".

O acordo de ajuda externa a Portugal já prevê uma racionalização das taxas do IVA que na prática se poderá traduzir na transferência de categorias de bens e serviços das taxas do IVA reduzida (6%) e intermédia (13%) para taxas mais elevadas. O acordo prevê ainda a redução das actuais isenções em sede de IVA e que seja feita uma alteração à Lei das Finanças Regionais para limitar a redução das taxas em do IVA nas Regiões Autónomas a um máximo de 20% quando comparadas com as taxas aplicáveis no continente. Em conjunto, estas alterações deverão permitir ao Estado um acréscimo de receitas de 410 milhões de euros.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 23:23 | comentar | favorito