Rede que vendeu a carta a Coentrão usava sósias para os exames

O esquema de fraude em cartas de condução detetado no Norte do País – que já levou à constituição de arguido do futebolista internacional Fábio Coentrão, suspeito de pagar 2500 euros para garantir a passagem no exame de código, usava sósias para realizar o testes.

Segundo notícia destacada no Correio da Manhã desta segunda-feira, o esquema de fraude que contabiliza 2 mil condutores apanhados «tem pormenores dignos de um filme».

O caso da rede que vendia cartas de condução corre em duas comarcas. No processo instaurado pela Judiciária de Vila Real – e que ainda se encontra em fase de investigação – está explícito que os «examinadores e instrutores» envolvidos utilizavam pessoas parecidas (sósias) com outras que tinham de se submeter a exame para realizarem os testes teóricos ou práticos.

Os casos ocorreram principalmente com emigrantes, que não tinham disponibilidade para se deslocarem a centros de exame de Mirandela ou Bragança, escreve o jornal. Nestes casos, a compra das cartas chegou a atingir «os 7500 euros», uma vez que os membros da rede tinham de pagar ao duplo que aceitava fazer o exame.

O caso conta já com 20 arguidos, cinco deles em prisão preventiva, tendo sido identificados 943 casos de condutores que adquiriram a carta de forma fraudulenta.

Juntando outro processo que corre em Braga, envolvendo examinadores de Vila Verde apanhados em 2012, poderão estar em causa «mais de duas mil cartas de condução obtidas de forma fraudulenta».

Entre as pessoas que obtiveram a carta através desta rede estão ainda cidadãos estrangeiros (muçulmanos e árabes sem residência em Portugal), pessoas que não sabiam ler nem escrever e até uma ex-autarca (Glória Nunes, da Junta de Ermelo). Todos pagaram para obter a carta de condução junto desta rede.

Um dos problemas legais à volta do caso é que os documentos – cartas de condução – são autênticos, dado que foram emitidos pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT), nota o matutino.

Dos dois processos, conclui o jornal, o único que tem presos preventivos é o da PJ de Vila Real.  Dado que a unidade transmontana da polícia criminal depende da PJ do Porto, esta tem até ao Verão do próximo ano para deduzir acusação pública no caso.

fonte:http://diariodigital.sapo.pt/n

publicado por adm às 12:36 | comentar | favorito