Há 35 empresas a pedirem insolvência todos os dias

Tudo parecia bem encaminhado para a recuperação da Ambar. O plano de viabilização foi aprovado pelos credores, apesar do voto contra do BCP, detentor de 22,4% dos créditos. Mas o banco avançou com um requerimento em tribunal reclamando irregularidades no processo de votação. A empresa, fundada em 1939 pelo comendador Américo de Sousa Barbosa e que chegou a faturar mais de 30 milhões de euros, tem agora dívidas reclamadas superiores a 18 milhões e o futuro ameaçado.

Este é apenas um dos muitos exemplos de empresas com processos de insolvência a correr nos tribunais portugueses. Entre janeiro e novembro, o número de insolvências cresceu 13,4%, atingindo um total de 8119 casos. São nada menos que 35 por dia. Os dados são da Ignios, empresa especializada em serviços de gestão integrada de risco, e mostram que nestes 11 meses se ultrapassaram já o total de insolvências de 2012.

E os números da crise deverão ser bem maiores. O próprio relatório da Ignios refere que “neste meio ambiente muito desfavorável para atividades mais expostas aos riscos do mercado interno têm ocorrido elevadas declarações de insolvências, mas também muitos processos especiais de revitalização e de cessações de atividades sem processos (manifestos ou não em dissoluções), quando não existem credores externos envolvidos”. E cita os dados do Banco de Portugal referentes ao aumento dos créditos vencidos das sociedades não financeiras que duplicaram no espaço de dois anos, passando de 6,1% do cré-dito concedido em setembro de 2011 para 12,7% este ano.

 

No top das insolvências surge a construção e obras públicas, “extremamente vulnerabilizada pela forte diminuição do investimento do Estado, das empresas e das famílias, anteriormente empolados”. Conta com 1544 casos, mais 90 do que nos primeiros 11 meses de 2012. Logo de seguida surge o comércio a retalho, “muito fragilizado pela desvalorização do mercado interno e por um longo e contínuo processo de concentração”, que registou 1338 processos de insolvência. Destaque, ainda, para o segmento de “outros serviços”, com mais 278 falências do que no ano passado, e a hotelaria e restauração, onde mais 166 empresas se viram em dificuldades.

O Porto é o campeão das insolvências (1846). Lisboa, embora seja o distrito com o maior número de empresas ativas, “continua a ter uma taxa de incidência de insolvências menor do que o Porto e do que Braga”, destaca a Ignios. Tem 1542 processos registados. Braga e Aveiro também diminuem o seu peso no total das insolvências graças ao aumento das exportações de vestuário de malha (+5,5%) e de calçado (+7,1%). Em contrapartida, Setúbal, Santarém, Faro, Coimbra, Viseu e a Madeira aumentaram o seu peso.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/E

publicado por adm às 15:44 | favorito
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