Faltaram mais de dois milhões de genéricos em meio mês

Mais de 2,3 milhões de medicamentos genéricos estiveram em falta só na primeira quinzena de setembro, segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Farmácias (ANF). Na lista dos 20 genéricos, mais em falta, 60% têm um dos cinco preços mais baixos.

Faltaram, mais precisamente, 2.329.168 remédios referenciados apenas pelo princípio ativo, o que significa que a grande maioria das 1900 farmácias existentes foi afetada.

"Tem havido falhas no acesso dos genéricos, que têm sido reportadas pelas farmácias ao Infarmed. 1774 farmácias queixaram-se de alguma falta, mas na realidade o número será ainda maior", disse ao Expresso Suzete Costa, diretora do Centro de Estudos de Avaliação e Saúde (CEFAR).

Segundo Suzete Costa, há situações que se repetem diariamente, há genéricos permanentemente na lista dos esgotados, e existem casos pontuais, mas tudo isto "conduz, no geral, a uma quebra de confiança".

"Tem impacto ao nível da saúde das pessoas, para cumprimento da terapêutica que foi prescrita pelo médico, e ao nível da própria despesa", refere.

Suzete Costa diz que é preciso analisar um conjunto de fatores e perceber quando há falhas no mercado dos genéricos ou quando não há capacidade eonómica para fornecer.

"É muito difícil identificar os motivos. Há diversas causas para diversos medicamentos. Por um lado, tem que ver com a situação económica das farmácias, por outro, com os grossistas que têm dificuldade em abastecer e, por último, é a própria indústria farmacêutica que não consegue fornecer", explica a diretora da CEFAR.

Mercado dos genéricos ainda pode crescer

 

Por mês, as farmácias vendem mais de 6,3 milhões de genéricos, sendo que o preço médio dos medicamentos desceu 0,88, entre maio de 2012 e agosto deste ano, situando-se em 7,23 euros. 

Segundo a ANF, em agosto, os medicamentos genéricos representavam uma quota de 39,8%, enquanto em maio de 2012 a quota era de 34,4%, tendo já permitido uma redução da despesa de 553 milhões de euros.

"Esse aumento da quota dos genéricos e a poupança obtida reflete a entrada em vigor a prescrição por substância ativa ou Denominação Comum Internacional (DCI) a partir de junho de 2012", explica ao Expresso Suzete Costa.

A diretora da CEFAR acredita, no entanto, que o crescimento do mercado dos genéricos tem ainda um enorme potencial, sendo que o Estado e os doentes,  poderiam ter poupado mais 180,1 milhões de euros, só contado desde junho de 2012.

"Foi percorrido um importante caminho, mas o mercado dos genéricos tem mais potencial para crescer. É importante que todos os intervenientes - médicos, farmácias e doentes contribuam para isso", conclui.

fonte: http://expresso.sapo.pt

publicado por adm às 22:29 | comentar | favorito
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