Cavaco assume riscos ao exigir um acordo rápido

Ao exigir a rápida concretização do "compromisso de salvação nacional" entre PSD, PS e CDS, Cavaco envolve-se ainda mais na sua solução para a crise. Se as negociações falharem, cabe-lhe descalçar a bota.


Ainda o debate do "Estado da Nação", na Assembleia, não tinha terminado, quando surgiu o comunicado da Presidência exigindo que o processo seja apressado. Recebidos, anteontem, sinais de disponibilidade dos líderes, Cavaco voltou a traçar os contornos do acordo interpartidário que deseja: concluir o programa de assistência financeira, para voltar aos mercados, fixar condições de governabilidade e garantir a sustentabilidade da dívida pública, o crescimento da economia e a criação de emprego.

O presidente não explicita em que consistem os "elementos adicionais" que transmitiu aos partidos, a considerar na definição do compromisso. Mas afirma que deve produzir efeitos também "numa perspetiva imediata". A exigência de curto prazo não constava da declaração ao país em que assumiu as rédeas do processo. Então, concebia o "pacto de regime" como alternativa válida para preparar, através de eleições, a fase pós-troika, em meados de 2014.

A alteração significa um reforço de empenhamento do chefe de Estado na solução que gizou para superar a crise. E exprime a sua convicção de que a mesma tem pernas para andar. Segundo apurou o JN, agradou-lhe o tom distendido do debate parlamentar, propício ao diálogo entre os três partidos. A mensagem visou assim advertir que as negociações não podem eternizar-se. Sabe-se que este fim de semana há reuniões para forçar um acordo.

Mas a disponibilidade para o compromisso, verbalizada no debate (ler págs. 4-5), pode não passar de retórica. E como o presidente se assumiu como "patrono" do compromisso, cabe-lhe encontrar uma alternativa, em caso de falhanço.

A realização, no imediato, de eleições foi rejeitada pelo próprio Cavaco, em atenção à fase crítica que o país atravessa. Resta um Governo de "inspiração" presidencial, que teria de ser aprovado na AR. Prévia à discussão do nome do primeiro-ministro, num cenário destes, seria a do apoio partidário. Como poderia o presidente assegurá-lo, depois de demitir o que está em funções?

Cavaco pode ter entrado num beco sem saída, que só prolonga a indefinição política. Até porque mantém o Governo condicionado, já que a remodelação está em banho-maria.

fonte:http://www.jn.pt/P


publicado por adm às 12:08 | comentar | favorito