Marcelo Rebelo de Sousa critica "grave atitude" de Paulo Portas

O ex-líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, reprovou esta terça-feira o pedido de demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que põe em causa "de forma grave" a situação política e financeira do país.

Em declarações à TVI, Marcelo criticou ainda a "grave atitude de Portas" que, embora tivesse "razão quanto à má escolha de Maria Luís Albuquerque, não tinha razão para sair do governo".

"Se a escolha do primeiro-ministro foi uma má escolha, a reação de Paulo Portas é incompreensível porque é em pleno arranque da oitava avaliação, depois da 'troika' já cá ter estado, num momento crucial para o Orçamento do Estado, numa atitude que não é sequer partilhada com elementos do seu partido (...) pondo em causa de forma grave a situação política e financeira do país", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o professor catedrático, com o pedido de demissão de Paulo Portas, o atual executivo "já não é um governo que dure a legislatura" mas que irá "tentar aguentar" até à saída da 'troika', pelo que o próximo ato eleitoral "já não será em 2015".

"Achei que Paulo Portas ia aguentar a discordância (...) pelo interesse nacional", assinalou perante a reação "totalmente incompreensível" do líder do CDS-PP.

O ex-líder do PSD considera ainda que Portas poderá no congresso do CDS (a decorrer no próximo fim-de-semana) apresentar um pedido de demissão para que daí surja um "novo líder" que assuma o seu cargo no governo, sugerindo mesmo o nome da ministra Assunção Cristas.

Marcelo Rebelo de Sousa apelidou ainda de "uma coisa muito estranha" as declarações do primeiro-ministro que esta terça-feira disse não ter apresentado ao presidente da República o pedido de demissão de Portas.

"O primeiro-ministro tem de propor a exoneração mas a palavra é do presidente da República. Portanto, é muito estranho quando alguém apresenta ao primeiro-ministro a sua decisão irrevogável, que este não a tenha comunicado ao presidente da República", salientou.

Também a cerimónia de tomada de posse de Maria Luís Albuquerque como nova ministra das Finanças, foi para Marcelo "estranhíssima" porque "o país estava noutra".

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, apresentou esta terça-feira o seu pedido de demissão "irrevogável" ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Paulo Portas contestou a escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta das Finanças, depois de a saída de Vítor Gaspar, com quem tinha "conhecidas diferenças políticas", "permitir abrir um ciclo político e económico diferente".

fonte:http://www.jn.pt/P

publicado por adm às 22:44 | comentar | favorito