Sem dinheiro os portugueses apostam nas trocas diretas

Os consumidores portugueses são os que mais pretendem recorrer às trocas diretas entre si para contornarem os efeitos da crise, no quarto ano de recessão consecutiva. Esta é uma das conclusões do novo estudo Observador Cetelem 2013 sobre os hábitos de consumo europeu, segundo o qual 75% dos portugueses pensam fazer trocas diretas de bens, sem recurso a dinheiro nem intermediários.

A internet tem sido uma ferramenta útil para o crescimento do fenómeno, mas não só. O Observador identifica o que chama de “consumo colaborativo” e inclui trocas, permutas, aluguer e compras em grupo. É um tipo de consumidor europeu completamente novo e que atinge em Portugal uma expressão ainda mais relevante.

“Orientados pela procura de um bom negócio, os consumidores não são indiferentes ao prazer de recriar uma ligação social e de dar um novo sentido ao seu consumo, distanciando-se dos distribuidores, cuja confiança se tem desgastado à medida que a crise avança”, diz o relatório.

As compras em grupo também têm maior relevância, com a Groupon à cabeça e dezenas de concorrentes. Portugal destaca-se claramente no uso destes sites, com 81% dos consumidores a declararem que vão aumentar o uso destas plataformas.

Quanto à troca de serviços, a ideia é aproveitar sinergias – “porquê pagar uma fortuna para reparar o seu lava-loiça quando o seu vizinho propõe prestar este pequeno serviço sem cobrar um cêntimo”, exemplifica o relatório.

Outra tendência a crescer é a do “faça você mesmo”, com destaque para cozinha, jardinagem e bricolagem, reparações de material eletrodoméstico e informático e de costura. Por outro lado, está a aumentar substancialmente a revenda de produtos que já não servem, sendo que os portugueses passaram de 46% para 83% dos consumidores adeptos da revenda.

“A época do consumo exacerbado e inconsciente faz parte do passado. A crise ajudou a criar um consumidor mais consciente e responsável”, analisa o diretor de marketing do Cetelem, Diogo Lopes Pereira. “A internet aproximou os consumidores das marcas, o que os obriga a ter um comportamento mais responsável e contacto direto com os seus clientes”, acrescenta, sublinhando que as mudanças são para ficar e que “mesmo com o aliviar da crise, a revolução tecnológica já alterou definitivamente o consumo tradicional.”

Sem surpresa, os portugueses também estão entre os mais pessimistas e os que mais vão cortar nas despesas. São 95% os consumidores que admitem que terão de limitar as despesas ao essencial, sendo que 67% dizem que irão poupar dinheiro em vez de consumir.

Portugal também é campeão da procura de marcas próprias mais baratas: 97% dos inquiridos afirmam que irão comprar produtos mais baratos, a percentagem mais elevada dos 12 países abordados no estudo. Também é assinalável o aumento dos métodos de compra na internet, e a disponibilidade para comprar nas redes sociais de 41% dos inquiridos portugueses, mais que qualquer outro país.

Entre a maior consciência ecológica dos consumidores, que já olham para a sustentabilidade das marcas, e a desconfiança das mesmas, o Observador acredita que se trata de uma mudança duradoura para uma crise duradoura.

No capítulo do endividamento, o estudo mostra que o mercado do crédito ao consumo caiu bastante e as famílias portuguesas reduziram a contração de responsabilidades. O endividamento médio por família portuguesa em 2012 foi de 4223 euros, menos que os 5655 euros das famílias alemãs e que os 5467 euros das famílias francesas.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 22:45 | comentar | favorito
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