Crise leva portugueses a usar “pneus até limite”

Parte dos pneus velhos vai para recauchutagem, mas a maioria segue para a reciclagem. Derivados podem ser usados na protecção de barreiras, enchimento dos campos de relva sintética, pavimentos de parques infantis e até para a indústria de isolamento.

Os portugueses estão a adiar ao máximo a sua troca dos pneus do carro. O alerta é da directora da Valorpneu, revelando ainda que quantidade de pneus usados encaminhados para aproveitamento continuou a descer no primeiro trimestre deste ano. 

"Estão naturalmente a utilizar os pneus até ao seu limite e só quando já não conseguem circular com eles é que os trocam", disse Climénia Silva à agência Lusa. 

Embora não estejam contabilizados os números dos três primeiros meses do ano, os dados preliminares confirmam aquilo que os responsáveis da Valorpneu esperavam. 

"Continuamos com uma diminuição das quantidades tratadas e também uma redução do nosso financiamento, pois se o mercado está em queda, o nosso financiamento também cai", apontou a directora. 

A actividade da Valorpneu é financiada através do pagamento de uma ecotaxa pelas empresas que colocam os automóveis no mercado. 

"Sobretudo em momentos de recessão económica, há uma tendência para o crescimento do mercado paralelo e marginal à economia e não nos declaram os pneus", explicou Climénia Silva. 

Em 2012, a Valorpneu tratou 79.114 toneladas de pneus usados, menos do que as 93.367 toneladas do ano anterior, enquanto as vendas de automóveis caíram 38%, o volume mais baixo dos últimos 27 anos, segundo o Automóvel Club de Portugal (ACP). 

O que acontece aos pneus velhos? 
Dos pneus velhos recolhidos, "cerca de 22% foram encaminhados para recauchutagem, para voltarem a ser utilizados", ou seja, 13.962 toneladas, (17.071 toneladas em 2011), e para reciclagem foram 39.203 toneladas (47.595 toneladas em 2011).

Como os pneus são muito usados, é mais frequente não terem condições para a recauchutagem e, no ano passado, só foram direccionadas para este tratamento 13.962 toneladas, contra 17 mil um ano antes. 

Alguns são usados na sua forma original, por exemplo, para protecção, como barreiras nos autódromos. Os restantes pneus são processados, com a separação dos seus materiais: borracha, têxtil e aço. 

A borracha é transformada em granulado para várias aplicações e cerca de metade vai para enchimento dos campos de relva sintética, para misturas betuminosas, pavimentos de parques infantis e para a indústria de isolamento. 

O pneu usado também é utilizado como fonte de energia, sobretudo, nas cimenteiras, e "é um combustível alternativo com muita qualidade com níveis caloríficos semelhantes aos carvão", acrescentou.

fonte:http://rr.sapo.pt/i

publicado por adm às 23:09 | comentar | favorito