Crise leva portugueses a procurar produtos nacionais, mais baratos

O criador de marcas Carlos Coelho defendeu hoje que a crise económica vai alterar as prioridades no que diz respeito ao consumo, levando as pessoas a procurar produtos mais baratos ou de produção portuguesa.

Em declarações à agência Lusa a propósito do Dia Mundial do Consumo – que se assinala na sexta-feira -, Carlos Coelho explicou que se está a assistir a uma nova tendência, a que chama “Free-conomie”.

“A crise obriga a amplificar o conceito de ‘desmonetarização’ do consumo, reorganizando as prioridades e recolocando o dinheiro como apenas uma das variáveis”, disse.

Segundo adiantou, “a sociedade, com mais tempo livre para consumir, procurará a gratuitidade dos espaços públicos, da natureza, das suas casas e de tudo o que lhe for oferecido para ‘consumir’ mais momentos de felicidade por menos dinheiro”.

“Com uma população envelhecida, um elevado desemprego jovem e um rendimento familiar baixo, tudo terá que custar menos”, admitiu, ressalvando, no entanto, que custar menos não tem necessariamente de significar menor qualidade, o que resultará na procura por produtos “mais genuínos”.

Para Carlos Coelho, também presidente da agência Ivity Brand Corp, as tendências de consumo “são um espelho da alma de uma sociedade” e, embora a “free-conomie” possa parecer “uma utopia”, é apenas “uma evolução do consumismo materialista para o consumismo humanista, menos dispendioso e muito mais sustentável”.

Mas a crise terá outras consequências, desde logo, aquilo que Carlos Coelho denomina como “Portugal Sou Eu”.

Por causa da crise, “o consumo de produtos e serviços portugueses será o grande motor do consumo e do orgulho nacional, será até moda”, defendeu o especialista.

Para o criador de marcas, a crise desqualificou os estrangeirismos e obrigou os portugueses a cuidar de Portugal.

“O consumo de produtos e serviços portugueses” vai criar em cada cidadão “a consciência de que a sustentabilidade da economia depende da atitude de consumo de cada um dos portugueses”.

Por outro lado, os consumidores deverão passar a fazer compras de forma mais lenta, dedicando mais tempo a procurar o que querem e ao melhor preço.

“As lojas de conveniência, que vendiam ‘tempo’ para uma sociedade apressada, que não tinha tempo de ir às compras, dão lugar a lugares vagarosos”, para permitir rentabilizar o orçamento disponível, disse, adiantando ainda que se irá verificar também uma procura pelo que é acessível, ético e sustentável.

“O quadrante social do consumo será cada vez mais valorizado. Produtos acessíveis, produzidos em condições de trabalho responsáveis e de acordo com padrões de gestão sustentáveis encontrarão junto dos consumidores uma adesão cada vez maior”, defendeu o especialista, explicando que “as dificuldades individuais acordaram as consciências colectivas”.

A redução dos orçamentos das famílias leva a outra consequência: a reciclagem criativa, alerta Carlos Coelho.

“De uma sociedade descartável, com rápidos ciclos de consumo, passaremos a uma sociedade de reciclagem criativa onde se mantêm os ciclos, mas se alteram as variáveis: reusar, repintar, remisturar, reolhar, vender, comprar, trocar”.

A criatividade, afirmou, “será uma das mais valiosas moedas destes novos tempos”, em que as novas tecnologias ajudam “a comparar preços online”.

fonte:Lusa/SOL

publicado por adm às 22:13 | comentar | favorito