A partir dos 2700 euros, nem o duodécimo esconde a subida do IRS

O duodécimo só "aumenta" o rendimento líquido mensal para salários até 2700 euros. A partir deste patamar já nem chega para anular o "enorme" agravamento fiscal que vai acontecer em 2013.

 

Os trabalhadores do privado vão poder escolher se querem ou não receber metade dos seus subsídios em doze avos e conseguir assim um "acréscimo" do salário face a 2012. Esta subida mensal, esbate-se quando se fazem as contas anuais, tal como mostram as simulações efetuadas pela Deloitte. Ou seja, no final de 2013, a soma dos 14 ordenados líquidos será menor do que o valor recebido no ano passado. Esta redução do líquido anual ocorre nos salários a partir dos 600 euros e vai aumentando à medida que sobem os rendimentos.

 

Um salário de 1458 euros brutos, por exemplo, "aumenta" 40 euros por mês com o duodécimo, mas no final do ano, terá encolhido 688 euros Além disso, a ilusão da subida do líquido mensal só acontece para quem ganha até 2700 euros, desvanecendo-se a partir deste "ponto de viragem", como observa Martim Gomes, da PWC. Um solteiro com este rendimento (ou um casal com dois filhos) terá até uma descida de 17 cêntimos. "O duodécimo não muda em nada o agravamento do IRS que vai acontecer em 2013", precisa este especialista da Price.

 

Luís Leon reforça, acentuando que a questão não está em receber ou não o subsídio em duodécimo, porque isto não impede que se pague mais imposto este ano. "Não é possível ter o maior agravamento fiscal de sempre e ao mesmo tempo ficar com mais dinheiro. Isso não existe", precisa.

 

As tabelas de retenção do IRS em 2013 (que funcionam como um adiantamento que os contribuintes fazem ao Estado por conta do imposto que têm a pagar em cada ano) entraram ontem em vigor, mas só deverão ter aplicação prática e partir de fevereiro para a maioria dos trabalhadores por conta de outrem. Já a sobretaxa de 3,5%, que  não está refletida nestas tabelas, começará a ser paga por todos (privados, funcionários públicos e pensionistas) já em janeiro, porque este acréscimo extraordinário do IRS entrou em vigor com o Orçamento do Estado.

 

Os fiscalistas ouvidos pelo DN/Dinheiro Vivo referem que as tabelas de retenção refletem a subida média das taxas marginais do IRS prevista no OE, mas evidenciam que tal como em anos anteriores, muitos contribuintes continuarão a descontar mensalmente mais imposto do que o que efetivamente têm a pagar. De acordo com as simulações da Deloitte, muitos trabalhadores continuarão a receber reembolso de IRS quando procederem à entrega da declaração anula (já em 2014), ainda que se preveja um emagrecimento do valor do "cheque" do fisco .

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 23:05 | comentar | favorito
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