Carros já não saem. Vendedores querem ajuda para os abater

Com as vendas de automóveis a registar a pior performance desde 1985, reforçam-se as vozes reclamando a reposição dos incentivos ao abate de veículos em fim de vida. Medida que esteve em vigor em 2010, pela última vez, ano que marca o último crescimento, mesmo que moderado, de vendas de automóveis.

A reposição deste incentivo custaria, segundo os dados da ANECRA (Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel), aos cofres do Estado qualquer coisa como 11.700 euros, para uma previsão de venda de 13 mil carros (60% dos quais com mais de 15 anos), mas renderia uma receita total acima de 42 milhões.

Aliás, a ANECRA admite que a receita total seria até superior, na medida em que contabiliza, apenas, os ganhos de Imposto Sobre Veículos (ISV) e o IVA cobrado sobre o ISV, lembrando que há, ainda, que contar com o valor do IVA sobre o preço base dos veículos.

Recorde-se que as receitas do ISV estão em queda desde abril de 2011, ano em que fecharam nos 626,5 milhões de euros, uma quebra de 22,6%. Já em 2012 - e embora não haja, ainda, números globais do ano -, todos os meses a quebra deste imposto foi superior a 43%. O Estado tinha previsto, no Orçamento Retificativo, fechar o ano com 586,5 milhões arrecadados com o ISV, mas até novembro só tinha conseguido cobrar 331,7 milhões, lembra Augusto Bernardo, da ANECRA.

Sinal da grave crise do setor, refere o responsável do Gabinente de Estudos Económicos da associação, é o fato de, em 2012, e pela primeira vez, se assistir a uma quebra, também, na venda de veículos usados, da ordem, igualmente, dos 40%.

Para 2013, as perspetivas mantêm-se negativas, já que a única medida que o Governo tomou para o setor foi o de não aumentar o ISV. Os optimistas admitem que as vendas cheguem aos 100 mil carros, mas não falta quem aposte no patamar inferior das estimativas: 80 mil.

E que consequências têm estes números no setor? Só entre 2007 e 2011, desapareceram em Portugal 2500 empresas de comércio e reparação de automóveis, tendo sido mandados para o desemprego cerca de 15 mil pessoas. A Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP) assegura que, só em 2012, terão desaparecido outras tantas, responsáveis por mais de 23 mil trabalhadores. Uma concentração que ditará a sobrevivência, apenas, dos mais fortes, asseguram os empresários. E que medidas estão a ser tomadas?

A Renault assegura que, apesar de 2012 ter sido "claramente negativo", a marca "cumpriu integralmente" os seus objetivos de quota, liderando o mercado pelo 15.ºº ano consecutivo. Já a Renault Boavista, um dos maiores representantes da marca, assegura que, em 2013, "a aposta na produtividade será um fator crítico de sucesso", com as áreas de "veículos usados e serviços oficinais a desempenharem um papel cada vez mais importante".

"Perseguir o equilíbrio financeiro, balançando volume com rentabilidade, através da redução de custos e investimento e canalizando recursos para a maximização da satisfação de clientes" foi a estratégia da Toyota Caetano Portugal em 2012. José Ramos, presidente da empresa, afirma encarar 2013 com "algum otimismo" graças às novas gerações Yaris e Auris. E reclama a criação de instrumentos específicos para o setor, facilitando o acesso ao crédito para financiar a atividade das empresas do ramo automóvel.

Um dos muitos que teve de ajustar a dimensão da sua operação à nova realidade do mercado foi o grupo Hipogest que, desde 2008, reduziu os seus efetivos em 47%. O grupo liderado por Hipólito Pires, que chegou a representar mais de dez marcas diferentes em Portugal e Espanha, está agora concentrado apenas na Mercedes, BMW e grupo Fiat, contando com 200 colaboradores afetos à rede de retalho automóvel em Portugal.

O grupo, que se dedica, ainda, aos setores alimentares, imobiliário, de serviços e aviação, e que tem apostado crescentemente no mercado angolano, conta, no total, com cerca de 600 trabalhadores.

A estratégia para 2013 da Hipogest passa por manter o foco em poucas marcas e na continuação da otimização de processos, apostando fortemente em Angola e no segmento do turismo. "O mercado português vai andar a meio gás mais uns anos. Mas o turismo mantém alguma dinâmica, e nós temos a Hertz em que continuaremos a apostar", diz o vice-presidente do grupo. Duarte Guedes tem uma certeza: "Quem se aguentar durante este tempo, de limpeza dos agentes menos eficientes, sairá disto mais forte".

"Pragmatismo dos produtos e da oferta apresentada" aos clientes, "sem grandes pretensiosismos" é a estratégia da Fiat Portugal. "As necessidades de mobilidade das famílias portuguesas mantêm-se e temos que ter produto apetecível e adquirível numa rede de distribuição acessível", diz Luca Napolitano, diretor geral da marca, que dá o exemplo da gama GPL e do modelo 500L.

A Fiat promete uma maior proximidade à rede de concessionários e "investimentos cirúrgicos" que a fortaleçam. Tudo em nome do aumento da notoriedade da marca.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/Ec

publicado por adm às 18:07 | comentar | favorito