Gás e luz devem subir mais «para estimular concorrência»

A Endesa, empresa que atua no mercado livre de energia, defende que o aumento da eletricidade e do gás para o primeiro trimestre de 2013 não estimula a concorrência, fazendo depender a evolução do mercado liberalizado das próximas atualizações tarifárias.

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, disse à Lusa que o ajustamento das tarifas transitórias para os clientes domésticos, definido para o primeiro trimestre, «não é estimulante para criar um mercado vivo em termos de agressividade dos comercializadores».

«Tudo vai depender dos ajustamentos que vão ocorrer a partir de agora trimestralmente e que efetivamente tornem a tarifa regulada dissuasória para as pessoas irem procurar ofertas melhores em termos de preço e de serviço», afirmou Nuno Ribeiro da Silva.

A eletricidade vai subir 2,8% e o gás vai aumentar 2,5% a partir de janeiro, valor que será revisto trimestralmente até ao final de 2015, altura em que o mercado ficará totalmente liberalizado.

Em declarações à Lusa, Ribeiro da Silva recordou que «a entidade reguladora (ERSE) está obrigada pela troika a acelerar o processo de liberalização».

Segundo o gestor, «no mercado da eletricidade, nos segmentos de média tensão e alta tensão a concorrência existe», ao contrário do segmento doméstico, em que «a correção da tarifa é manifestamente insuficiente para acelerar a concorrência».

Também no caso do gás, acrescentou, «os ajustes que se verificaram são pequenos para começar a haver alguma concorrência no mercado, que neste momento não existe, à exceção de alguns segmentos de grandes consumidores».

«É necessário que haja ajustes tarifários bem superiores», declarou, reconhecendo «a dificuldade de fazer acertos nos preços mais altos».

Nesse contexto, defendeu, a implementação de medidas que se refletem nos custos para os novos operadores de gás para que o mercado se torne mais competitivo e não fique confinado ao incumbente (Galp Energia).

«Há aspetos como mudanças regulatórias nas regras de funcionamento que permitem diminuir custos aos operadores de gás, permitindo baixar os custos».

«Talvez tenha mais reflexo para levar a que haja mais mercado do que propriamente a questão das tarifas».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

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