Nuno Santos demitiu-se da direção de informação da RTP

Jornalista justifica decisão com «clima de suspeição» após pedido de imagens em bruto da manifestação de 14 de novembro

Nuno Santos anunciou a demissão da direção da RTP, depois de 20 meses no cargo. 

Numa nota enviada à redação, o jornalista explicou que na origem da decisão está o que descreve como um «clima de suspeição», na sequência de um pedido de esclarecimentos por parte do conselho de redação e da comissão de trabalhadores sobre a «hipotética entrega» de imagens em bruto, recolhidas pela estação, durante a manifestação de 14 de novembro, dia da última greve geral. 

Fonte próxima da administração da RTP considera «terem estado em curso procedimentos internos, com o conhecimento da direção de informação», que a administração considera «inaceitáveis».

Nuno Santos salienta que «nenhuma imagem saiu das instalações da RTP».

Leia a nota de Nuno Santos:

«A meu pedido renunciei hoje ao cargo de Diretor de Informação da RTP tendo apresentado a minha demissão ao Conselho de Administração. Esta decisão é irreversível.

Nos últimos dias efetuei um conjunto contactos informais e uma reunião com o Conselho de Redação enquanto órgão representativo dos jornalistas. Reuni também com a Comissão de Trabalhadores. Aos dois órgãos, e no plano da competência de cada um deles, prestei todos os esclarecimentos que me foram pedidos sobre uma hipotética entrega a entidades externas à RTP de imagens não exibidas (vulgarmente denominadas como "brutos") dos incidentes do passado dia 14 de Novembro em frente ao Parlamento.

Nessas reuniões garanti - e reafirmo de forma categórica - que nenhuma imagem saiu das instalações da RTP. Respondi de forma clara a todas as questões e apresentei um conjunto de factos complementares entendidos e aceites pelas partes que deram o assunto como encerrado.

Durante todo o processo mantive informado e com detalhe o Diretor-Geral de Conteúdos, Luís Marinho.

Este processo abalou a relação de confiança com o Conselho de Administração a quem expressei a minha profunda discordância com o clima de suspeição instalado antes mesmo da abertura de qualquer processo de inquérito.

Na minha condição de Diretor de Informação não tive qualquer intervenção direta nem autorizei de forma expressa ou velada a cópia de quaisquer imagens. No entanto e como líder da equipa entendo que, se não existe confiança na Direção de Informação, devo assumir por inteiro as minhas responsabilidades. Não há, nestas alturas, dois caminhos e nesse sentido renunciei ao meu cargo.

Saio de consciência tranquila e porque é minha convicção ser essa a solução que permitirá à Direção de Informação da RTP abrir um período de reflexão e fazer emergir uma nova liderança.

Estes 20 meses de trabalho em conjunto foram muito estimulantes. Devo a todos uma palavra de agradecimento pela colaboração prestada. A Redação da RTP já mostrou em muitos momentos ser uma Redação excecional. Este é talvez um dos mais delicados de sempre mas, porque essa é a natureza da equipa, será dada uma resposta à altura.»

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/ec

publicado por adm às 23:15 | comentar | favorito