Deco: aumentos na luz maus para famílias e défice tarifário

Défice acumulado em 2013 será de 3,6 mil milhões e um dia este dinheiro terá de ser pago pelos consumidores

A Deco criticou a proposta de aumento de 2,8% dos preços da eletricidade, a partir de 1 de janeiro de 2013, por considerar que vai agravar as dificuldades das famílias e, ao mesmo tempo, a dívida tarifária.

O secretário-geral da Deco, Jorge Morgado, disse à Lusa que a proposta da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), divulgada na segunda-feira, «tem dois problemas: em primeiro lugar o de ser um aumento, que vem numa senda de um aumento generalizado da carga fiscal no próximo ano».

«Com esta decisão vamos agravar o défice tarifário e, se se mantiver este quadro, os consumidores vão ficar a dever 3,6 mil milhões de euros em 2013», declarou o porta-voz da DECO, realçando que «um dia este dinheiro tem que ser pago na fatura [da eletricidade] ou no IRS».

Jorge Morgado admitiu um «contra-senso» na posição da associação de defesa do consumidor, considerando que seria resolvido se fossem reduzidos os custos anuais de interesse económico geral (CIEG), os chamados custos políticos.

«O défice tarifário podia desaparecer, a tarifa podia não ter agravamento se o Governo conseguisse diminuir estes custos políticos que estão pendurados há vários anos», acrescentou.

Para a Deco, os cortes feitos pelo atual Executivo às rendas aos produtores ficam «aquém das nossas expectativas», defendendo que «muitíssimo há ainda para resolver, negociar e conseguir reduzir». 

Em relação à margem concorrencial das empresas no mercado liberalizado, António Morgado disse que fica dependente «da capacidade de aliciamento» dessas empresas. 

A proposta de um aumento de 2,8% dos preços da eletricidade a partir de 1 de janeiro de 2013 para os consumidores domésticos em Portugal continental é a primeira tarifa transitória proposta pela ERSE no âmbito do processo de liberalização do mercado de eletricidade, divulgada na segunda-feira em comunicado, e vai vigorar até 31 de março do próximo ano, altura em que o regulador voltará a anunciar uma outra tarifa transitória de 1 de abril até 30 de junho e assim sucessivamente, trimestre a trimestre até final de 2015.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 21:43 | comentar | favorito