Classe média resiste à crise: 60% vivem melhor que os pais

As classes médias, ainda que não escapem à crise e, frequentemente, sejam até as mais castigadas pelas medidas de austeridade, mostram-se resistentes e adaptam-se com facilidade, revendo as suas prioridades, conclui o Barómetro Europeu do Observador Cetelem, que avaliou as classes médias europeias.

As classes médias «são muito importantes para todas as economias, uma vez que são elas que sustentam principalmente o consumo, muitas vezes o principal motor de crescimento». Elas «não foram poupadas pela crise, pelo que sentem o seu impacto, mas comprovam ter uma capacidade de adaptação impressionante e, sobretudo, reveem as suas prioridades para acautelar o futuro», afirma o diretor de marketing do Cetelem, Diogo Lopes Pereira.

«A realidade é que apesar da crise que agora atravessamos, as condições de vida melhoraram significativamente ao longo de gerações, à medida que as economias se foram desenvolvendo e que o acesso à sociedade de consumo se generalizou. 76% da classe média portuguesa admite que beneficia de um lar mais acolhedor que os seus pais com a sua idade, quer seja em termos de isolamento térmico, de limpeza ou mesmo de dimensão da habitação. 87% chega mesmo a afirmar que a sua habitação está melhor equipada que a dos seus pais, comparando com a mesma fase da vida. No entanto, existe um número de indivíduos significativo (39%) que admite que a sua situação material é pior quando comparada com a dos seus pais, quando estes tinham a mesma idade», conclui o estudo. 

De acordo com o estudo, 39% dos inquiridos consideram que a sua situação material é pior do que era a dos seus pais, quando tinham a sua idade. Tanto na Europa como em Portugal, pouco mais de 60% dizem que a sua situação é pelo menos tão boa como a dos seus progenitores. Em Portugal, 31% dizem que estão ao mesmo nível e apenas 30% consideram ter uma vida melhor que a dos seus pais.

Os números, apesar de não serem brilhantes, mostram que a «crise da década (...) não afetou totalmente os progressos geracionais verificados em meio século», conclui o Cetelem.

Apesar da classe média da Europa Ocidental avaliar favoravelmente a sua situação material (54%), Portugal contraria esta tendência estando os seus consumidores entre os mais insatisfeitos (61%). 

Quando questionados a que classe social consideram pertencer e a que classe social pertenciam os seus pais, 79% dos portugueses responderam que pertencem à classe média e, destes, 65% considera que os seus pais pertenciam à mesma classe. 

«Este alargamento da classe média numa geração é muitas vezes visto como sinal de uma redução das desigualdades sociais: provém de uma mudança da classe baixa, à qual os seus pais pertenciam, para a classe média com a qual se identificam agora. Mas não foi só nas classes baixas que o número de indivíduos diminuiu, encontramos um cenário semelhante nas classes altas: 7% dos consumidores inquiridos em Portugal considera que os seus pais pertenciam à classe alta e, destes, só 2% afirma pertencer a esta classe», revela o Cetelem.

Para as análises e previsões do estudo foram inquiridas amostras representativas das populações nacionais (18 anos e superior) de doze países: Alemanha, Espanha, França, Hungria, Itália, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Reino Unido, Rússia e Eslováquia, num total de mais de 6.500 europeus inquiridos a partir de amostras com pelo menos 500 indivíduos por país. Os inquéritos foram realizados em parceria com o gabinete de estudos e consultoria BIPE, com base num inquérito barométrico conduzido no terreno em Novembro/Dezembro de 2011, pela TNS Sofres.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:56 | comentar | favorito
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