Patrões aceitam ajudar Governo a modelar TSU

As confederações patronais recebidas esta segunda-feira pelo Presidente da República mostraram-se disponíveis para trabalhar com o Governo na modelação do aumento da Taxa Social Única (TSU) para os trabalhadores.

Cavaco Silva recebeu os parceiros sociais que assinaram o acordo tripartido em sede de concertação social e, à saída, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, afirmou ter demonstrado disponibilidade para trabalhar com o Governo nesta matéria, ainda que, mais uma vez, tenha deixado reticências à escolha do Governo.

A CIP defende a redução da TSU como forma de aumentar a competitividade das empresas, mas «não entendemos que essa redução da TSU seja feita como o primeiro-ministro nos anunciou aumentando os encargos dos trabalhadores para a segurança social em mais 7%. Acreditamos que há formas diferentes de o fazer», disse.

«Há alternativas, elas estão estudadas», reiterou António Saraiva.

Também a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) deixou críticas à medida desenhada pelo executivo. O seu presidente, João Vieira Lopes, transmitiu preocupação a Cavaco Silva. 

«Manifestámos essas preocupações ao presidente da República e mostrámos disponibilidade para colaborar com o Governo em novas alternativas. Achamos que o país precisa de medidas credíveis para que os credores internacionais continuem a acreditar num programa que pode ser discutível mas é necessário», afirmou.

Questionado sobre o risco de o acordo de concertação social ser destruído, o presidente da CCP considerou que essa é uma questão «irrelevante» porque «se (o acordo) não for concretizado ele morre por si».

Já o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) disse que os parceiros sociais estão abertos a encontrar medidas que possam «cumprir os objetivos que o Governo propôs», mas que «não sejam tão violentas para os trabalhadores».

À saída da reunião com Cavaco, João Machado disse que «Portugal não aguentaria uma crise política em cima de uma crise económica, financeira e agora já social».

«Uma crise política era o pior que nos poderia acontecer, temos de ter a responsabilidade de não trilhar o caminho da Grécia», afirmou, salientando que «a contestação social não é desejável num país que está na situação financeira e económica que Portugal tem».

A CAP quer que a medida seja revista, já que o aumento da TSU «nem sequer é desejável para as empresas e reduz em muitos milhões de euros o mercado interno».

Já as duas centrais sindicais, UGT e CGTP, pediram a Cavaco Silva que trave a medida. A UGT, que também foi recebida pelo Presidente, pediu que a proposta de Orçamento do Estado seja enviada ao Tribunal Constitucional. Já a CGTP, que não foi recebida por Cavaco, defendeu um «veto político» do Presidente.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 23:50 | comentar | favorito