Economia paralela ultrapassa um quarto do PIB

A economia paralela (não registada) atingiu em Portugal os 25,4 % do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, segundo um estudo da Universidade de Economia e Gestão do Porto, divulgado esta quinta-feira. Em 2010, era 24,8%.

De acordo com o Observatório de Economia e Gestão de Fraude, a fuga aos impostos aconteceu em todos os sectores: agricultura, indústria e serviços.

De acordo com o relatório, há 43,4 mil milhões de euros que fogem ao controlo do fisco. O presidente do Observatório, Carlos Pimenta, diz que estamos a falar de um monte de notas de 100 euros com 8,5 quilómetros de altura, equivalente ao Monte Everest.

Medidas de austeridade incentivam fuga ao Fisco

Este ano, o valor deverá continuar a aumentar, dada a subida da carga fiscal e do desemprego, defendeu o vice-presidente do observatório, Óscar Afonso, durante a apresentação. A carga de impostos diretos e indiretos, de contribuições para a Segurança Social e de regulação e ainda a taxa de desemprego são apontadas como as «principais variáveis motivadoras» do aumento da economia não registada e o observatório antecipa que «se nada mais for feito» haverá um novo aumento em 2012.

Sublinhando que, em 1970, o peso da economia paralela não ia além dos 9,4% do PIB, Óscar Afonso conclui que «foi um aumento significativo», que «não deixa de representar [o fracasso] da estratégia do Governo, porque o incentivo [ao cumprimento] não é significativo e há muitas rubricas da economia não registada que escapam ao controle do Estado».

Na sua opinião, o combate à economia não registada «não é uma batalha perdida, mas têm é que ser implementadas outras medidas, como a criminalização por enriquecimento ilícito, uma maior fiscalização de empresas fantasma e o combate ao uso de informação privilegiada e ao branqueamento de capitais».

Sem economia paralela não haveria défice

De acordo com os cálculos feitos por Óscar Afonso, sem economia paralela, Portugal tinha contas públicas equilibradas e até um saldo positivo de 0,7%. O valor resulta da aplicação de uma taxa média de imposto de 20% sobre os 25,4% de economia paralela.

Tendo em conta o peso médio da economia paralela nos países da OCDE, que é de 16,4%, o investigador conclui que a tributação a uma taxa média de 20% sobre os 9% que separam Portugal da média da OCDE permitiria uma receita fiscal de 4,1 mil milhões de euros e colocaria o défice nacional nos 2,2%.

Face ao PIB, o peso da economia paralela na agricultura, em 2011, foi de 0,69%, contra 0,67% no ano de 2010. Na indústria, o valor atingiu os 5,93%, verificando-se um crescimento ligeiro face aos 5,36% homólogos. A maior fatia regista-se no sector dos serviços, onde atingiu os 17,76%, quase um ponto percentual a mais face ao ano anterior.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/e

publicado por adm às 21:59 | comentar | favorito