Crise? Onde os portugueses gastam mais dinheiro

Alimentação e combustíveis são os que mais pesam na carteira. Mas há um luxo que portugueses não dispensam: consumo de tablets disparou

A vida está mais cara. Os preços aumentaram, o poder de compra caiu e os portugueses tiveram de aprender a fazer (ainda mais) contas à vida. O consumo de bens não alimentares recuou mais de 4% entre abril e junho, face ao mesmo período do ano passado, reflexo de fortes cortes na compra de roupa, medicamentos não sujeitos a receita médica, livros, consolas, combustíveis ou produtos de papelaria. Mas há uma exceção: o consumo de tablets mais do que duplicou.

Num cenário crítico, com este tipo de bens a sofrer uma quebra de 13,5% nas vendas, a compra de tablets disparou 145% no segundo trimestre, em comparação com 2011, de acordo com o Barómetro da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), divulgado esta quarta-feira.

No total, os portugueses dedicaram 116 milhões de euros para compras em informática, apesar dos preços destes produtos terem aumentado 9,7%, em comparação com junho do ano passado.

De resto, a queda foi generalizada. No total, o consumo de bens não alimentares caiu 4,2%, para 1,82 mil milhões de euros, com o maior corte a verificar-se na compra de produtos de entretenimento (livros, DVD, consolas, software) e papelaria, onde a quebra foi de 13,6% face ao homólogo de 2011. 

Segue-se a compra de vestuário (caiu 6,5%), de combustíveis (-3%), de bens de equipamento (que inclui não só produtos de informática, mas também eletrónica, eletrodomésticos e telecomunicações - recuou 2,8%) e medicamentos não não sujeitos a receita médica (-2,4%).

Sinal vermelho ainda para os bens de equipamento de linha branca, com destaque para as máquinas de lavar louça, roupa e frigoríficos, cujas vendas derraparam 17,3%, ao mesmo tempo que o preço médio aumentou 3,9%.

No entanto, desta lista, é na gasolina e no gasóleo que os portugueses gastam mais dinheiro: 839 milhões de euros em apenas três meses (abril e junho). Bens de equipamento e vestuário são os nomes que surgem a seguir com os gastos a ascenderem os 430 milhões e 394 milhões de euros, respetivamente.

Mas é a alimentação que lidera a lista das compras: os portugueses gastaram 2,84 mil milhões de euros no segundo trimestre, mais 2,2% face ao ano passado. A crise a não impedir as compras de bens essenciais, apesar do preço médio dos alimentos ter aumentado 10,5%.

A APED concluiu que este aumento é um reflexo das promoções e descontos levadas a cabo pelos hipers e supermercados, da reclassificação de algumas categorias de produto em sede de IVA e, também, da alteração de hábitos alimentares.

Hipers e supermercados continuam no topo das preferências, com uma quota de mercado conjunta de 69% (mais 2,1% do que há um ano), contra uma perda generalizada de clientes nos restantes locais.

Contas feitas, as vendas totais (bens alimentares e não alimentares) caiu ligeiramente - menos 0,4% - num total de 4,67 milhões de euros gastos em três meses.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 23:26 | favorito
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