Pão vai aumentar em Setembro

O preço do pão vai subir já no mês que vem. A escalada das cotações da farinha nos mercados internacionais e os aumentos da factura energética tornam inevitável, segundo os panificadores, a subida do preço do pão. "Os custos de produção dispararam no primeiro semestre deste ano mais de quinze por cento. As farinhas e os combustíveis não param de subir, pelo que um ajustamento de preços se torna inevitável", disse ao Correio da Manhã António Fontes, presidente da Associação dos Industriais de Panificação do Norte (AIPAN).

Atendendo à disparidade de preços no sector, não há dados concretos sobre os aumentos previstos, mas os industriais asseguram que não podem ser inferiores aos recentes aumentos dos custos de produção, ou seja, entre dez e quinze por cento.

Assim, prevê-se que a carcaça de 40 gramas suba um cêntimo, passando para os doze, em média, no Norte, e atinja os dezoito cêntimos na região da Grande Lisboa.

Nos preços por quilo, é provável que o trigo, na venda ao público, suba dos 2,40 euros para os 2,65, em média, e que o pão de milho passe de 2 para 2,20 euros.

É que a farinha de trigo, no mercado internacional, teve este mês o preço recorde de 420 euros por tonelada (valor que atingiu um pico em Março de 2011), e a farinha de milho está num valor nunca visto de 350 euros por tonelada.

"Há aqui um mundo especulativo, que acompanha de perto as oscilações dos combustíveis, e que atira as farinhas para valores inaceitáveis", diz o industrial Carlos Santos, acrescentando que "não são os produtores de cereais quem ganha com estes aumentos".

Mas os panificadores também se queixam de preços "insuportáveis" na factura energética. "A electricidade está mais cara do que nunca, o gasóleo é o que se vê e o preço do gás duplicou nos últimos dois anos, isto depois de as autoridades terem convencido os industriais a optarem pelo gás em vez da lenha, por razões ambientais", explica António Fontes.

De resto, este responsável diz que, no primeiro semestre deste ano, foram à falência mais de 50 padarias, só na região Norte, e que, "se nada for feito, haverá mais falências e, inevitavelmente, muito desemprego".

AUMENTO DE PREÇO NÃO É CONSENSUAL

Nem todos os industriais concordam com o aumento do pão nesta altura. Carlos Santos, ex-presidente da ACIP, diz que "não há condições para aumentos nestes tempos de crise em que o consumo está a baixar". António Fontes também diz que não é a melhor altura, mas assegura que "não existem alternativas".

"O GOVERNO TEM DE CRIAR ALGUMA REGULAMENTAÇÃO"

O presidente da AIPAN diz que "o Governo tem de criar alguma regulamentação neste sector e acabar com as práticas ilegais que se verificam por parte de algumas empresas".

António Fontes vai pedir ao ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, que intervenha no sentido de impedir práticas de dumping por parte de algumas grandes superfícies, que vendem a carcaça a cinco cêntimos".

"Eles fazem do pão elemento de captação de clientes e estão a destruir todo um sector", afirma.

RENDAS SOBEM 3,3% EM 2013

As rendas vão sofrer uma actualização de cerca de 3,3% no próximo ano. É o maior aumento desde 2004 e deverá afectar 627 mil famílias. Em causa, revela o ‘Jornal de Negócios’, estão os inquilinos com contrato de arrendamento posterior a 1966 e produz efeitos no mês em que o contrato foi assinado.

REDE EXPRESSOS AUMENTA BILHETES

Os preços das viagens pela Rede Nacional de Expressos poderão aumentar devido à subida dos combustíveis, confirma o presidente da empresa, Carlos Oliveira ao ‘Jornal de Negócios’. Mas apesar dos aumentos, o presidente avisa que "as pessoas não vão deixar de viajar". Esta rede rodoviária transporta anualmente cerca de 4,4 milhões de passageiros e conta com uma frota de 187 veículos.

GASÓLEO FAZ SUBIR 5% NOS FRETES

Os serviços da Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) aumentam já hoje 5%, confirmou o presidente António Mousinho ao CM.

Esta alteração deve-se "às constantes subidas nos combustíveis, principalmente no gasóleo" e também "o aumento das portagens". A subidas dos custos "vai reflectir-se no preço final", esclarece António Mousinho.

O presidente da ANTRAM avisa que estes aumentos levam "à quebra do consumo interno e a uma economia menos competitiva".

O gasóleo bate hoje máximos históricos, superior a 1,5 euros, ultrapassando o valor obtido no mês de Março de 1,4825 euros.

A gasolina também sobe 3 cêntimos. A 95 sobe para 1,759 euros (e não para 1,732 euros como erradamente foi referido na edição de ontem). De Junho de 2010 até hoje, o aumento o gasóleo passou de 1,178 euros para 1,50 euros, mais 32 cêntimos.

fonte_http://www.cmjornal.xl.pt/


publicado por adm às 09:19 | comentar | favorito