Greve às horas extra nos hotéis do Algarve

O Sindicato de Hotelaria do Algarve anunciou esta quarta-feira uma greve às horas extraordinárias, por tempo indeterminado, com início no próximo dia 15, contra as alterações do Código do Trabalho.

«As medidas agora aplicadas pelo Governo vão ter um impacto muito negativo, nomeadamente quanto ao trabalho suplementar, em que se reduz o pagamento e os descansos compensatórios para metade e institui o trabalho gratuito nos feriados», disse à Lusa o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria do Algarve, Tiago Jacinto.

Aquelas medidas resultam numa redução de rendimento dos trabalhadores que «têm de dar uma resposta a essas medidas. Têm de exigir a aplicação dos contratos coletivos de trabalho nas empresas, porque são esses vínculos laborais que prevalecem».

O sindicato considera que as alterações do Código do Trabalho «são ilegais e inconstitucionais», alegando que se «intrometem numa negociação que foi feita livremente entre os trabalhadores e as empresas».

Tiago Jacinto explicou que todos os trabalhadores do setor estão convocados para esta greve e alertou ainda para o problema da precariedade no setor, dando como exemplo empresas que optam pela celebração de contratos de trabalho temporários para ocupar postos de trabalho permanentes.

O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) desvalorizou entretanto o anúncio desta paralisação, argumentando que atualmente não há muito trabalho extraordinário no setor.

O presidente da AHETA, Elidérico Viegas acredita que a greve ao trabalho suplementar não terá adesão significativa porque os trabalhadores percebem as dificuldades que o setor atravessa e porque as alterações ao Código do Trabalho «foram objeto de um largo consenso», que incluiu outras forças sindicais.

«Ainda por cima, esta greve diz apenas respeito às horas suplementares e neste momento não são precisas muitas horas extra», acrescentou à Lusa, observando que as taxas de ocupação turística na região são inferiores a outros anos.

Por seu turno, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Algarve, António Pina, disse à mesma agência que compreende «a situação difícil que os trabalhadores estão a viver», mas lembrou que os empresários também têm de fazer face a uma realidade difícil devido aos aumentos de impostos, combustíveis, água e luz.

«É preciso que as duas partes dialoguem, porque só juntas conseguem ultrapassar a crise». A greve «em pleno agosto não é coisa que vá beneficiar nem o negócio dos empresários, nem a imagem do Algarve, nem os trabalhadores».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/e

publicado por adm às 22:32 | comentar | favorito
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