Jerónimo de Sousa apela à mobilização social perante um governo submisso à intervenção estrangeira

Secretário-geral do PCP promete resistir às crescentes medidas que sufocam as camadas populares e apela à mobilização social para travar agravamento das condições de vida dos trabalhadores.

Num discurso que se pautou pela crítica à subordinação do governo perante a intervenção estrangeira, o secretário-geral do PCP teceu fortes críticas às medidas da troikaanunciadas nos últimos meses pelo governo de coligação PSD/CDS-PP.

A subida do IVA na eletricidade e gás natural, o imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal com sede em IRS e o aumento do preço dos transportes foram apenas algumas das medidas que Jerónimo de Sousa vetou no discurso de encerramento da 35ª Edição da Festa do Avante.

“Disseram que não aumentariam os impostos, mas não tardaram em dar o dito por não dito, com o aumento do IVA no gás natural e na electricidade”, lamentou Jerónimo de Sousa, referindo-se ao programa de austeridade do governo.

Aquele que o secretário-geral do PCP apelida de “programa de extorsão dos portugueses”, que se inscreve numa “declaração de guerra” aos trabalhadores e que será a “tragédia do país” é mais uma ação “dos mesmos de sempre” que estigmatiza os mais desfavorecidos, perpetua a pobreza e agrava as condições de vida dos trabalhadores, defendeu o político.

Referindo-se ao ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o líder comunista disse que “o homem quando abre a boca é para anunciar mais impostos, novas injustiças e mais cortes sociais”, prometendo que o PCP apresentará novas propostas para tributar os bens e patrimónios de luxo, os dividendos e os rendimentos de capital.

Jerónimo de Sousa desvalorizou a introdução do recém-anunciado imposto extraordinário sobre os escalões mais elevados de IRS e IRC, a chamada taxa solidária, acusando o governo de estar a “tapar o sol com a peneira”, já que o próprio PCP apresentou propostas para reforçar a tributação fiscal dos mais ricos que foram contestadas antes da tomada de posse pelos partidos que agora as aprovaram.

O líder comunista criticou ainda o despedimento de 37 mil professores, os cortes de mil milhões de euros no orçamento do Sistema Nacional de Saúde, defendendo que a Saúde e a Educação deve ser “importantes funções sociais”, “direitos” e não “grandes áreas de negócios.”

Houve ainda lugar, no discurso lido, de 12 páginas, para críticas à atuação do governo no caso da venda do BPN ao BIC, na interceção de comunicações de jornalistas ou na intimidação dos Magistrados.

A multidão que encheu o recinto em frente ao Palco 25 de abril reagiu com obediência às palavras de Jerónimo, ora com assobios quando se falava em troika, Passos Coelho e intervenção estrangeira, ora com aplausos quando o secretário-geral do PCP prometia resistência e incitava à mobilização social e à participação na manifestação convocada pela CGTP para o dia 1 de Outubro.

Terminou mais uma Festa do Avante, um evento que segue já na 35ª edição, e que promete, nas palavras do próprio líder, continuar a existir em prol da luta pelo povo e pelo país.

fonte:http://noticias.sapo.pt/i

publicado por adm às 20:41 | comentar | favorito