Empresas de sucesso: truques para conquistar «novos mundos»

Médio Oriente e Angola já estão conquistados. Nos binóculos do investimento estão agora os países da América Latina

São uma espécie de descobridores do século XXI. Empresas «made in Portugal» que partem para o mundo. Numa Europa em crise, onde os países responsáveis pela compra de 60% das nossas exportações estão a apertar o cinto, só há uma saída: conquistar os «novos mercados».

Que o diga a Parfois que, em pouco mais de uma década, passou de uma loja no Porto para 300 espalhadas em 38 países, a maioria fora da Zona Euro: desde o Médio Oriente à Venezuela, passando pela Roménia, Bósnia, Polónia, Egito e Marrocos. 

«Há que ir à luta e experimentar. Tendo em conta, claro, o tipo do mercado», disse à AF Sérgio Marques, diretor executivo da marca de acessórios de moda que depois de abrir 110 lojas em Portugal considera que já esgotou o mercado - «temos lojas em todo o lado» - e que, portanto, agora só lhe resta investir no estrangeiro. 

Novo alvo na mira da Parfois: a América Latina. «Panamá, República Dominicana e, quem sabe, Brasil, apesar da loucura que são as taxas de importação».

«Todos os dias penso em fechar as portas e ir embora», confessou, por sua vez, Nuno Abreu, responsável pela NAD Design, criadora de projetos de design e arquitetura. Com Dubai como destino natural - tem um escritório na cidade com cinco trabalhadores permanentes e vários colaboradores -, Nuno Abreu explica as diferenças: mais trabalho para a empresa, menos custos fiscais.

«Chegou-se a um ponto em que a internacionalização tornou-se uma questão de sobrevivência. Se não exportasse, a NAD já não existia», admitiu Nuno Abreu, diretor de uma empresa que faturou 8,1 milhões de dólares em 2011, todos vindos de fora do país: «A faturação em Portugal é zero».

E se, de acordo com o Banco de Portugal, será o comportamento das exportações que evitará que Portugal caia em recessão em 2013, a verdade é que «do Estado nunca recebemos nenhum apoio», admitiu Nuno Abreu.

Por isso, se tem uma empresa e vai partir à aventura aqui tem uma dica preciosa: «É preciso fazer um estudo prévio e, dependendo do negócio, pode-se aprender muito com os profissionais do setor. Numa hora de conversa pode-se saber o essencial para que o processo de entrada no mercado corra bem», nas palavras, desta vez, do responsável da Parfois.

E nunca esquecer: ter atenção redobrada aos costumes da população. «Não faz sentido vender malas com pelo ou um vestido mais quente no Médio Oriente. As mulheres também não usam cruzes nem cintos», contou Sérgio Marques. Já nos países frios «temos acessórios extra, como cachecóis e gorros, e evitamos as cores muito garridas. No Leste Europeu preferem coisas mais sóbrias».

«Na verdade, há três tipos de dificuldades: criativas (diferentes gostos), de negócio (concorrência) e de cultura. E é preciso ter muito cuidado porque qualquer falha pode comprometer o negócio. A minha produtora de eventos, por exemplo, não pode ir à Arábia Saudita porque é solteira e eles não dão vistos assim», conta Nuno Abreu, chegado de uma viagem de negócios ao Dubai.

Um dos destinos naturais parece ser o Médio Oriente, sempre atento ao melhor do que se faz por cá. Que o diga Purificação Tavares, diretora da CGC Genetics, empresa especialista em citogenética, diagnósticos moleculares e de genómica clínica, rastreio pré-natal e anatomia patológica.

«Nós vendemos relatórios. Para nós é indiferente que o hospital esteja em Beja ou na Austrália. O contacto por parte do Médio Oriente, por exemplo, permitiu-se contratos de média e longa duração com a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia».

Esta PME, com 50 trabalhadores e um volume de negócios de 4,4 milhões de euros, já conquistou o Canadá, EUA, México, Brasil e Uruguai. «Neste momento estamos a abrir novos mercados como a América do Sul e Ásia», revelou Purificação Tavares. 

Mas, nestas contas não podemos esquecer o angolano. «Angola representa 90% da nossa faturação», disse o director da NAD.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt

publicado por adm às 16:05 | comentar | favorito