Portugueses cortam na comida para pagar casa

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Economia

Portugueses cortam na comida para pagar casa

Peso da habitação nas despesas dispara, e dinheiro canalizado para a alimentação encolhe

  • PorPaula Gonçalves Martins
  • 2012-06-20 11:33
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As famílias portuguesas estão a dedicar uma parte cada vez maior dos seus rendimentos ao pagamento da habitação. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a despesa anual média dos agregados familiares foi de 20.391 euros, em 2010/2011 e as despesas com habitação absorviam quase 30%.

As estimativas apontam que a habitação consumia 5.958 euros, o equivalente a 29,2% da despesa total, ao passo que os transportes levavam 2.957 euros, ou 14,5%, os produtos alimentares e bebidas não alcoólicas 2.703 euros, ou seja, 13,3%.

Analisando a evolução da última década, nota-se que o peso da habitação disparou 10 pontos percentuais, de 19,8% em 2000 para 29,2% em 2010/2011, ao passo que as despesas com produtos alimentares afundou de 18,7% em 2000 para 13,3% em 2010/2011.

As despesas com móveis, artigos de decoração, equipamento doméstico e despesas correntes de manutenção da habitação, com vestuário e calçado e com bebidas alcoólicas e tabaco, prosseguiram, em 2010/2011, a tendência decrescente.

Por regiões, Lisboa apresenta uma despesa total anual média (22.384 euros) superior à média nacional, ao passo que, no Alentejo, o valor da despesa média por agregado situou-se em 16.774 euros.

Famílias com crianças gastam 60% mais

Famílias com crianças têm despesas médias anuais de 26.775 euros, ou seja, 60% superiores à dos agregados sem crianças e 31% acima da média global. Nestas famílias, destacam-se as despesas de ensino(1.028 euros), que são dez vezes maiores que nos outros agregados, mas também as despesas com Vestuário e Calçado são superiores (1.189 versus 507 euros), Lazer, distração e cultura (1.648 versus 740 versus), Transportes (4.276 euros versus 2.196 euros) e Outros bens e serviços (1.881 versus 928 euros).

A diferença era, no entanto, muito menor no que toca a despesas com saúde (1.190 euros nos agregados com crianças dependentes e 1.184 euros nos que não tinham crianças).

Rendimento médio ronda os 2 mil euros mensais

O rendimento líquido anual médio, por agregado familiar, em 2009, era de 23.811 euros, ou seja, uma média de 1.984 euros mensais. O rendimento monetário líquido (19.201 euros) representava 80,6% do total, correspondendo os restantes 19,4% ao rendimento não monetário (4.610 euros), composto pelo autoconsumo e autoabastecimento, autolocação (rendas subjetivas) e recebimentos gratuitos ou a título de salário.

Os rendimentos do trabalho representavam 54,5% do rendimento total e constituíam a principal fonte de rendimento em todas as regiões. No conjunto dos rendimentos de trabalho, os auferidos por conta de outrem (11.378 euros em média) eram sete vezes superior aos rendimentos por conta própria (1.593 euros). Os rendimentos de pensões, com uma média de 4.943 euros por agregado familiar, representavam cerca de 21% do rendimento total anual médio.

Entre as componentes do rendimento não monetário destacavam-se os valores atribuídos a autolocação (ou rendas subjetivas, i.e., o valor de renda estimado pelos agregados proprietários da residência principal ou usufrutuários de alojamento gratuito de residência principal) que representava mais de 75% do rendimento não monetário, e cerca de 15% do rendimento total anual.

Os dados do INE surgem no dia em que o Eurostat divulgou que o poder de compra dos portugueses derrapou no ano passado 3% face a 2010 e 2009, para níveis piores do que no início da crise. É que é apenas 77% em relação ao poder de compra europeu, ou seja, está cerca de 25% abaixo.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/ec

publicado por adm às 23:04 | comentar | favorito
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