Açúcar: indústria corre risco de colapso

A indústria do açúcar corre risco de colapso. O aviso parte da RAR Açúcar e de uma série de eurodeputados que escreveram à Comissão Europeia a pedir que mude as normas de importação da matéria-prima. Há 600 postos de trabalho em risco, em Portugal. 

O presidente do conselho de administração da RAR Açúcar, João Pereira, alerta que a indústria de refinação europeia tem a «viabilidade completamente condenada» se as normativas de Bruxelas não mudarem. 

«A RAR tem enormes dificuldades em garantir matéria-prima para alimentar a sua refinaria porque ela, pura e simplesmente, não está disponível em quantidade suficiente», disse à Agência Lusa João Pereira, explicando que a indústria de refinação europeia está apenas autorizada a aprovisionar-se de origens ditas preferenciais, sem pagamento de tarifas, cuja produção não atinge os níveis projetados por Bruxelas.

«Desde a reforma de 2006, tem negado estas dificuldades de aprovisionamento», que já obrigaram a RAR «a parar a refinaria por completa exaustão dos stocks de matéria-prima», resultando na «corrida ao açúcar há dois anos, próxima do Natal».

«Parece um contrassenso: a indústria existe, a indústria é competitiva, a indústria está tecnologicamente dotada, só que depois esbarra porque não tem matéria-prima para garantir o seu natural e normal funcionamento».

No caso da RAR, são cerca de 190 postos de trabalho diretos que estão em causa. Para a indústria portuguesa são cerca de 600, entre as três refinarias que existem. 

João Pereira garante que «não há falta de açúcar no mundo, onde há falta de açúcar é nas origens ditas preferenciais» e portanto quando a indústria vai «comprar açúcar em origens não preferenciais», tem que pagar uma tarifa, o que põe em causa a viabilidade financeira do negócio.

«Os importadores têm um duplo problema. Primeiro, têm um volume de acesso de matéria-prima das origens preferenciais muito aquém daquilo que a comissão previu e quando a comissão nos autoriza a colmatar esse défice, obriga-nos a pagar uma tarifa sujeita a leilão que, na prática, vai-nos colocar em condições economicamente híper-desfavoráveis».

Assim, «o timing vai ficando cada vez mais apertado, porque os stocks que a indústria tem vão-se exaurindo». Daí que defenda que a CE «necessita de compreender e de encontrar uma solução de aprovisionamento das refinarias europeias que seja equilibrada».

Eurodeputados em alerta

Também 62 eurodeputados de 11 países estão preocupados com esta situação. De tal modo que escreveram à Comissão Europeia pedindo também a alteração de normas.

A carta ao comissário europeu da Agricultura, Dacian Cioloş, surgiu da eurodeputada britânica Marina Yannakoudakis, mas iniciativas no mesmo sentido já tinham sido colocadas pelos eurodeputados portugueses Mária do Céu Patrão Neves (PSD) e Capoulas Santos (PS). A missiva contou com o apoio dos portugueses Luís Paulo Alves, Regina Bastos, Capoulas Santos, Correia de Campos, Diogo Feio, José Manuel Fernandes, Maria do Céu Patrão Neves, Paulo Rangel e Nuno Teixeira.

Em declarações à Agência Lusa, Mária do Céu Patrão Neves explicou que «quando se fez a última reforma do setor do açúcar, em 2006, ficou previsto que o fornecimento de ramas para a indústria europeia seria feito por países em via de desenvolvimento», sem impostos adicionais, não estando estes países a conseguir fornecer a quantidade suficiente para manter a indústria europeia e portuguesa a laborar.

«Como consequência, nós temos todas estas indústrias já estabelecidas em risco de entrarem em colapso. Na situação económico-financeira em que está a Europa e nomeadamente o nosso país, a última coisa que nós queremos é que indústrias que já estão no terreno, que têm estado a funcionar, que colapsem por falta de matéria-prima e que façam engrossar a lista dos desempregados». 

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 23:13 | comentar | favorito
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