Encerram três oficinas por dia

Os portugueses estão a adiar o mais possível a ida à oficina, seja em termos de manutenção dos automóveis, seja ao nível das inspecções periódicas obrigatórias. Cresce o recurso às oficinas ilegais e aumentam as falências no sector. Segundo a Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), "em 2011 fechavam cerca de três oficinas por dia, e a tendência este ano é para aumentar".

 

O secretário-geral da associação, Neves da Silva, sublinha que "a grande maioria das empresas do sector automóvel que se mantêm está em sério risco de falência", adiantando que existe uma "dificuldade tremenda no acesso ao crédito das empresas, que estão estranguladas e sem fundo de maneio", mas também "a concorrência profundamente desleal dos biscateiros".

Com o encerramento das oficinas, "muitos funcionários optam por se manter activos em garagens privadas e ilegais, que não cumprem o que é exigido ao nível da legislação laboral, fiscal e ambiental". A isto, soma-se o facto de "aumentarem a economia paralela e a evasão fiscal, porque não passam qualquer tipo de factura", nota.

O secretário-geral da ANECRA acrescenta que, devido aos "constrangimentos dos rendimentos das famílias", estas estão a adiar a manutenção e reparação dos veículos. "Com o aumento dos combustíveis, das portagens e das taxas, sobra pouco por mês às pessoas, e, quando há alguma poupança, é guardada pelo receio do desemprego ou de um futuro incerto."

Os clientes "atrasam o levantamento do carro para o final do mês por incapacidade de pagamento ou tentam pagar a reparação a prestações". Em último caso, "deixam ficar o veículo, porque as oficinas não o podem deixar sair sem receber o dinheiro, já que as cobranças são cada vez mais difíceis e as empresas já não têm qualquer margem de manobra ao nível da tesouraria".

DISCRIMINAÇÃO NAS GRANDES SUPERFÍCIES

A ANECRA está a fazer um diagnóstico às dificuldades do sector para apresentar medidas concretas de intervenção aos ministérios das Finanças, Economia e do Ambiente. A associação quer mudanças na legislação que regula a gestão ambiental. "Há uma concorrência desleal das grandes superfícies, que vendem óleos e baterias, mas não são obrigadas a recolher os resíduos, quando os reparadores têm de o fazer e ainda pagar por isso. É injusto e discriminatório", acusa Neves da Silva.

fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/n


publicado por adm às 23:02 | comentar | favorito
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