"Consumidor poderá escolher os melhores contratos"

O mercado liberalizado vai permitir ao consumidor escolher o fornecedor de energia.

Quais são os grandes desafios com que se debate o sector energético em Portugal? 
Um dos mais importantes desafios neste momento no sector energético, até pela sua dimensão, uma vez que vai abranger a totalidade dos consumidores portugueses de electricidade e gás natural, prende-se com a concretização da liberalização total do mercado energético e a extinção das tarifas reguladas. Este é um dos pontos que faz parte do Memorando de Entendimento (MoU) que foi assinado entre o Estado português, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, no âmbito do programa de ajuda externa a Portugal, e que se consubstanciou no acelerar do calendário de extinção das tarifas reguladas aplicáveis aos consumidores domésticos nos sectores da electricidade e do gás natural. No fundo, é o início de um novo paradigma no relacionamento comercial entre os consumidores e as empresas de energia, até agora praticamente desconhecido para a maioria dos consumidores portugueses, e que vai trazer novos desafios à regulação na promoção da concorrência e na supervisão dos mercados grossista e retalhista.

E que ameaças e oportunidades enfrentam os consumidores?
As experiências dos outros países onde o mercado já está liberalizado, demonstram-nos ser inegável que a concorrência entre vários operadores no mesmo mercado tende a beneficiar os consumidores quer a nível de preços quer ao nível da qualidade de serviço prestada. Apesar de existir neste sector uma componente imprevisível e incontrolável, que é a evolução do custo da energia primária a nível internacional, factor que irá influenciar decisivamente os custos da energia no país, a concorrência permite ao consumidor escolher o fornecedor de energia que melhores condições contratuais lhe oferecer, à semelhança do que já faz em outras áreas, como nas telecomunicações, e isso só pode ser benéfico para os consumidores e para a dinamização do mercado.

A crise que atravessamos não poderá revelar-se um travão à implementação dessas reformas?
Penso que essa questão não se coloca em relação ao processo de liberalização do mercado energético, até porque, como se sabe, é um processo que decorre desde 2000 na electricidade, estando já 53% do consumo em mercado livre, entre os quais se encontra a quase totalidade dos grandes consumidores industriais. No gás natural, o processo e liberalização decorre desde 2007 e 90% do consumo industrial está já em mercado livre, com, ao que sabemos, descontos significativos nos preços.

 

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 00:28 | comentar | favorito