Rendimento das famílias cai 4,5%

O rendimento disponível das famílias – fatia do salário que resta após o pagamento de impostos e contribuições para a Segurança Social – deslizou 4,5%, em termos reais, em 2011. Segundo o Banco de Portugal, o consumo dos portugueses também caiu a pique. Por isso, fica o alerta: a austeridade acarreta riscos.

Segundo o relatório anual da autoridade monetária, que dedica um volume interior à economia portuguesa em 2011, "o rendimento disponível diminuiu 1%, em termos nominais", mas o efeito sentido no bolso após ser reflectido o aumento dos preço levou a que "a redução fosse bastante mais acentuada em termos reais: 4,5%." Além da subida dos preços, a diminuição dos rendimentos do trabalho, reflexo do corte dos salários no Estado e da desaceleração das remunerações no sector privado", justificam tal contracção. E os efeitos fizeram-se sentir no consumo.

A queda do chamado consumo corrente "foi particularmente vincada", já que reflecte o sentimento das famílias de que o corte nos salários é permanente.

Um dado curioso é o facto de o consumo de bens alimentares ter sido nulo face ao ano anterior. O País, relata o relatório, não registava "uma variação tão baixa desde 1983", período em que Portugal também estava sob resgate. Perante este cenário, a taxa de poupança das famílias tombou novamente, depois de um ligeiro aumento em 2010, situando-se agora em 9,7% do rendimento disponível. Também a produtividade desceu em 2011: 0,1% no País e 0,2% no sector privado.

A austeridade actualmente em vigor, ainda que necessária, acarreta perigos, alerta o Banco de Portugal. "Os riscos em torno da implementação do programa permanecem significativos", pode ler-se no documento, não só pela "resistência expectável de alguns agentes económicos à concretização do vasto conjunto de reformas", como também pela tensão crescente em torno da crise da dívida soberana.

fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/n


publicado por adm às 23:17 | comentar | favorito