Funcionários do Pingo Doce pagos a 500%

Os funcionários das lojas Pingo Doce que trabalharam no feriado do dia 1 de maio serão pagos a 500%, apurou a VISÃO junto de fonte sindical. Está ainda por esclarecer se esse pagamento extraordinário será integralmente feito em dinheiro ou se inclui uma parte em tempo de descanso, como previsto no contrato coletivo de trabalho do grupo Jerónimo Martins, proprietário da marca.

A decisão, comunicada na passada sexta-feira através de uma circular enviada às lojas, assinada pelo administrador Pedro Soares dos Santos, destina-se a compensar o "extraordinário trabalho" das equipas operacionais. A administração reconhece, assim, que os funcionários foram sujeitos a um volume anormal de trabalho no dia 1 de maio quando, sem aviso prévio, as lojas Pingo Doce ofereceram um desconto de 50% sobre as faturas de compras de valor superior a 100 euros. A ação de promoção resultou numa corrida às lojas que, em alguns casos, registaram uma afluência cinco vezes superior ao normal para um dia feriado. Ao longo do dia, formaram-se longas filas de pessoas à entrada das lojas e junto às caixas de pagamento, com tempos de espera de 3 e 4 horas. Nalguns estabelecimentos, registaram-se inclusive incidentes que exigiram a intervenção das forças policiais.

A ação da Jerónimo Martins dividiu o país e a classe política em particular, com os partidos de esquerda a condenar a iniciativa de descontos no mesmo dia em que se comemorava o Dia do Trabalhador. Já os produtores e fornecedores da grande distribuição, que há muito se queixam do esmagamento das suas margens comerciais, viram as suas reclamações acolhidas pela ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que em declarações ao Expresso prometeu legislar no sentido de pôr fim a este tipo de "situações inadmissíveis".

Além do pagamento a 500%, os trabalhadores do Pingo Doce que estiveram ao serviço, ou em gozo de folga, no passado dia 1, podem, até final da semana, fazer as suas compras nas lojas do grupo beneficiando de um desconto de 50%, em tudo idêntico ao que os clientes usufruíram no feriado. Apenas os que fizeram greve - convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (CESP), afeto à CGTP -, como forma de protesto contra a abertura das lojas no Dia do Trabalhador - , estão excluídos dessa iniciativa. A direção do CESP condenou já a decisão da administração da Jerónimo Martins, considerando que "o direito à greve" dos trabalhadores está a ser posto em causa. Aquela estrutura sindical vai também enviar uma participação à Autoridade das Condições do Trabalho (ACT) sobre os acontecimentos do passado dia 1.

No ano passado, foi primeira vez que as lojas da cadeia Pingo Doce abriram portas ao público no 1º de Maio, assim como o concorrente Continente, ignorando as fortes críticas dos sindicatos. Os funcionários foram compensados acima do acordado no contrato coletivo de trabalho, com o pagamento extraordinário a 300 por cento, com direito a uma folga, em vez dos normais 200% acrescidos de uma folga.

A Jerónimo Martins já confirmou esta notícia, não fazendo, porém, qualquer outro comentário.

fonte:http://visao.sapo.pt/
publicado por adm às 13:41 | comentar | favorito