Supermercados ganham até 80%

As cadeias de supermercados arrecadam mais de 80% do preço final de alguns produtos agrícolas. Os dados são do Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agroalimentares e mostram que, em Março, por exemplo, só na alface, a margem de lucro das empresas de distribuição chegou aos 82% do preço pago pelo consumidor.

O que significa que, mesmo com campanhas agressivas de descontos como a que o Pingo Doce realizou na passada terça-feira, com promoções de 50%, continuam a ser rentáveis para os hipermercados.

"Se as margens de lucro são brutais, podem baixar os preços ao consumidor e aumentar o que pagam aos produtores", declarou ontem ao CM o dirigente da Confederação Nacional de Agricultores (CNA), João Dinis. O responsável falava à margem da manifestação da CNA contra as políticas agrícolas, onde deixou o receio de que "os custos das promoções se repercutam nos produtores". Os agricultores dizem receber o mesmo há vários anos, embora as despesas de produção continuem a aumentar, a que se soma um mercado pequeno e sem concorrência. "O monopólio está a rebentar toda a produção nacional", sublinha João Dinis.

Os números do Observatório são rejeitados pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, que aponta "graves incorrecções" ao relatório por não analisar "todos os custos que a distribuição e outros operadores económicos da cadeia alimentar suportam desde que o produto sai do produtor até chegar às prateleiras das lojas".

Mas ao CM, fonte do Ministério da Agricultura confirma que as principais preocupações dos produtores nas reuniões da PARCA, a plataforma que a partir deste mês publica os preços desde a produção ao consumidor final, são "solicitações, por parte da distribuição, de descontos no fornecimento dos produtos para alinhar com campanhas de promoção decididas unilateralmente pela distribuição".

ASAE JÁ ENVIOU CONCLUSÕES PARA A CONCORRÊNCIA

A ASAE já enviou para a Autoridade da Concorrência as conclusões da investigação à campanha do Pingo Doce, e na qual apurou "indícios de incumprimento" da lei. Arroz, óleo e whisky são alguns dos produtos que podem ter sido vendidos abaixo do preço de custo, o que pode resultar numa coima até aos 30 mil euros. "É preciso averiguar os contornos da operação, mas estas iniciativas são comuns em vários países do Mundo", diz o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.

fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/n


publicado por adm às 14:53 | comentar | favorito