Risco de bancarrota: Chipre ultrapassa Portugal

O Chipre passou à liderança do TOP 10 dos países com maior probabilidade de incumprimento da dívida soberana num horizonte de cinco anos, segundo o monitor da CMA DataVision. Com um risco de default de 64,75% acabou por ultrapassar Portugal, cujo risco fechou hoje em 64,47%.

A pequena economia insular, que é membro da zona euro, tinha subido meteoricamente ao 2º lugar daquele "clube" de candidatos ao incumprimento na sexta-feira passada, 16 de março. Portugal havia chegado à liderança no dia 12 de março, depois da "desclassificação" da Grécia. Este país saiu do TOP 10 de candidatos, em virtude de ter sido considerado que ocorreu um evento de crédito (um default, ainda que parcial, forçado pelo acionamento das cláusulas de ação coletiva pelo governo de Atenas junto dos credores que não aceitaram a reestruturação de dívida proposta) que conduziu a um leilão de credit default swaps na segunda-feira passada.

Em menos de uma semana, Chipre consegue chegar à liderança e perfila-se para ser a primeira vítima do contágio da reestruturação da dívida grega. A banca cipriota estava fortemente exposta à banca grega e o país conta apenas com um empréstimo bilateral da Rússia para financiar as suas necessidades.

No caso de Portugal assistiu-se, esta semana, a oscilações no nível de risco entre 64 e 65%. Fechou hoje nos 64,47% abaixo do valor de encerramento de ontem em 64,89%. Há uma semana tinha fechado em 66,74%. Nota-se uma tendência de descida, que acompanha o mesmo movimento ao nível dos juros das obrigações do Tesouro no mercado secundário, a que já fizemos referência noutro artigo.

Itália, Espanha e Irlanda em foco

 

No entanto, o risco de incumprimento aumentou significativamente em três países "periféricos" da zona euro - Itália, Espanha e Irlanda. Mas subiu, também, para a Hungria, Bélgica, França e Áustria.

Apesar de a Itália continuar fora do TOP 10, foi o país com maior subida diária do risco, segundo a Markit. A turbulência em torno da reforma laboral estará a preocupar os investidores na dívida.

O segundo maior aumento do dia ocorreu com o risco de Espanha, que atingiu os 32,2%, o que contrasta com 29,18% há uma semana atrás. O mesmo stresse se verifica nos juros das obrigações espanholas a 10 anos no mercado secundário, como referimos noutro artigo.

Finalmente a Irlanda viu o risco subir para 42%. Há uma semana atrás estava em 41,24%. O aumento deriva das incertezas sobre a resolução do stresse em torno do pagamento no final do mês da segunda tranche anual de promissórias que salvaram duas entidades fundamentais do sistema financeiro irlandês da bancarrota. A que se juntou hoje a noticia que o ex-tigre Celta entrara em recessão no último trimestre de 2011, com uma quebra ligeira de 0,2%.

Stresse nos cds dos grandes bancos mundiais

O mercado dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento, acrónimo cds) esteve hoje muito agitado relativamente ao sector bancário. Treze dos maiores bancos mundiais viram hoje o custo dos cds relacionados com as suas dívidas aumentar mais de 5% durante o dia.

As situações de maior agravamento ocorreram com o Barclays, Unicredit , Lloyds e Bank of Scotland.

O banco espanhol Santander há três dias que tem agravamentos do custo dos cds superiores a 5%.

fonte:http://expresso.sapo.pt/

publicado por adm às 22:57 | comentar | favorito
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