Avaliações de imóveis afundam 47%

O número de avaliações de imóveis urbanos caiu 47% entre 23 de fevereiro e 06 de março, ou seja, houve uma queda de 4.480 fichas, informou o presidente da Associação Portuguesa de Avaliadores de Engenharia (APAE), Freitas Lopes, citado pela Lusa.

O dia 23 de fevereiro foi a data de divulgação da circular do Ministério das Finanças a fixar as remunerações dos engenheiros, engenheiros técnicos e arquitetos que avaliam o valor patrimonial dos imóveis: entre 91 cêntimos e 5,5 euros, ou seja, um terço dos valores que estavam em vigor anteriormente.

Segundo o compromisso assinado com a troika, o número de avaliações até ao final do ano deve ultrapassar os cinco milhões de imóveis.

Numa reunião organizada hoje pela APAE em Lisboa, o dirigente mostrou a evolução dos números das avaliações desde o início do processo: «A tendência começa em 7.500 avaliações por dia e havia uma subida em 93 (fichas preenchidas) à medida que os peritos ganhavam experiência e tinham a esperança de receber uma remuneração justa e, por isso, trabalhavam sábado e domingo».

Após serem conhecidas as remunerações, a nível nacional e com base em dados das Finanças, indicou Freitas Lopes, as avaliações começaram a descer na ordem das 337 por dia. 

O valor médio ponderado pago por cada ficha, segundo as contas da APAE, foi de 1,42 euros, montante que compara a uma «chávena de café».

Nas contas que a APAE fez, o pagamento a um avaliador varia entre o máximo de 5,5 euros, referente a uma única ficha de uma moradia uninominal, e um mínimo de 1,1 euros, quando acumulou o preenchimento entre 50 a 100 fichas.

Vários documentos a que a pela Lusa teve acesso indicavam que, em vários distritos do país, os peritos decidiram suspender o seu trabalho até ser conhecido o resultado de uma reunião pedida pelas ordens dos Engenheiros e dos Arquitetos com o Ministério das Finanças.

A reunião foi marcada para a próxima quarta-feira, anunciou hoje um responsável da Ordem dos Engenheiros.

As críticas às remunerações, fixadas em um terço de valores anteriormente pagos, têm sido unânimes no setor, quer por ordens, por associações ou por sindicatos.

Na reunião dos peritos, Freitas Lopes indicou ainda haver peritos que estão a usar os mapas do Google para fazer as avaliações como «instrumento para definir a verdade». «Mas o Google pode servir para criar a mentira», avisou o responsável, referindo que marquises ou garagens não são visíveis e que só a deslocação dos peritos aos locais é a forma correta de fazer a avaliação.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:43 | comentar | favorito