Nos Óscares, o silêncio foi de ouro

Apesar do empate a cinco estatuetas entre «O Artista» e «A Invenção de Hugo», foi mesmo o filme francês, mudo e a preto e branco, a levar os prémios mais importantes para casa, provando que, nos Óscares, o silêncio valeu ouro.

 

Um filme francês, a preto e branco e, ainda por cima, mudo: há cerca de um ano ninguém sonhava que uma fita assim chegasse às salas de cinema e, principalmente, ganhasse prémio atrás de prémio até ao triunfo final, a cerimónia dos Óscares. Mas «O Artista» ultrapassou todas as expetativas e foi o grande vencedor da noite, com cinco estatuetas: Melhor Filme, Melhor Realizador (Michel Hazanavicius), Melhor Ator (Jean Dujardin), Melhor Banda Sonora e Melhor Guarda-Roupa.

Também «A Invenção de Hugo» saiu da cerimónia com cinco troféus, embora em categorias técnicas: Melhor Fotografia, Melhor Direção Artística, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Som e Melhores Efeitos Sonoros. Os dois filmes de homenagem aos primórdios do cinema acabaram assim por ser os grandes vencedores da noite.

Numa cerimónia bastante mais viva que a do ano passado, conduzida com leveza e humor pelo experiente Billy Crystal, os momentos mais emotivos foram, como habitualmente, os das estatuetas de interpretação: Octavia Spencer chorou ao receber o Óscar de Melhor Atriz Secundária por «As Serviçais», Christopher Plummer deu uma lição de classe no discurso de aceitação do Óscar de Melhor Ator Secundário por «Assim é o Amor», Jean Dujardin transbordou de entusiasmo ao vencer por «O Artista» e Meryl Streep gracejou e lacrimejou ao ser ovacionada de pé pelo seu terceiro Óscar, como Melhor Atriz por «A Dama de Ferro».

Apesar de quase não ter havido surpresas ao longo da noite, a cerimónia teve vários marcos importantes: Aos 82 anos, Christopher Plummer tornou-se o intérprete mais idoso de sempre a receber um Óscar em competição; «O Artista» tornou-se a primeira película francesa a ganhar o troféu de Melhor Filme e o segundo filme mudo a ganhar o mesmo troféu (o primeiro foi «Asas», na primeira cerimónia dos Óscares em 1929); Jean Dujardin foi o primeiro ator francês a receber a estatueta dourada; «Uma Separação» foi a primeira película iraniana a ganhar o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro; e Woody Allen, que voltou a não comparecer à cerimónia, tornou-se o recordista de vitórias na categoria de Melhor Argumento Original ao vencer pela terceira vez, agora com «Meia-Noite em Paris» e antes por «Annie Hall» e «Ana e as suas Irmãs».

De resto, «Os Descentes» venceu a estatueta de Melhor Argumento Adaptado (que premiou também o realizador, Alexander Payne), «Millennium 1 - Os Homens que Odeiam as Mulheres» recebeu o Óscar de Melhor Montagem, «Rango» o de Melhor Longa-Metragem de Animação e «Os Marretas» o troféu de Melhor Canção Original para «Man or Muppet».

De mãos a abanar saíram da cerimónia «Moneyball - Jogada de Risco», «Cavalo de Guerra», «A Árvore da Vida» e «Extremamente Alto, Incrivelmente Perto».

Inesperadamente, um dos momentos que mais deu que falar na 84ª cerimónia de entrega dos Óscares não se passou durante a cerimónia mas sim uma hora antes, na passadeira vermelha: Sacha Baron Cohen apareceu vestido de General Alladeen, a personagem que interpreta no seu próximo filme, «O Ditador», e deitou as cinzas de uma urna com a efígie de Kim Jong-il por cima de Ryan Seacrest, o popular apresentador do canal «E!», sendo a seguir prontamente afastado do local pelos seguranças.

fonte:http://oscares.cinema.sapo.pt/

publicado por adm às 08:27 | favorito