Carta de condução devia custar o dobro

Tirar a carta de condução é uma coisa que se faz uma vez na vida - salvo raras excepções. É um bem essencial, que promove a mobilidade, o emprego e a autonomia. Numa altura de crise, e de uma concorrência cada vez mais feroz no sector, os preços têm caído a uma velocidade vertiginosa. Se pensa que esta formação lhe sai caro, saiba que está muito longe disso. As escolas não conseguem sequer fazer face às despesas. A carta devia custar, pelo menos, o dobro. 

O preço, sobretudo na zona da Grande Lisboa, ronda os 400/450 euros. Mas as contas feitas pelo economista Paulo Reis, no seminário «Sustentabilidade Económica das Escolas de Condução», promovido pela Associação Nacional dos Industriais do Ensino de Condução Automóvel (ANIECA), que decorreu no último fim-de-semana, em Coimbra, revelam que o valor da carta de condução deveria ser muito superior. 

Somando os gastos com salários e impostos, carros, combustível e outras despesas, Paulo Reis chegou à conclusão que a carta deveria custar, pelo menos, 790,83 euros. Um valor que não tem, sublinhe-se, qualquer margem de lucro associada. 

Ora a realidade dos preços praticados em todo o país está cada vez mais distante deste valor. A concorrência tem provocado uma derrapagem nos preços. E há muitas escolas para um mercado cada vez mais pequeno: o número de nascimentos, em Portugal, tem vindo a cair ao longo dos anos. 

Em 1998, existiam 600 escolas de condução, que encartaram um total de 227 mil pessoas. Em 2007, o número de estabelecimentos quase duplicou (1.076), mas o número de encartados diminuiu (123 mil), fez notar o mesmo economista. 

Como é que as escolas conseguem sobreviver? Na verdade, está a ser cada vez mais difícil. Basta fazer contas.

Depois, deparam-se com outros problemas, nomeadamente de cariz burocrático, como por exemplo o atraso já por diversas vezes noticiado da emissão das licenças de aprendizagem por parte do IMTT. Licenças que são essenciais para os alunos poderem frequentar a formação e realizar exames, mas há situações em que a emissão dos documentos demora meses a ser efectuada. Neste impasse, a actividade das escolas bloqueia e os alunos desesperam.

É algo que a proposta para o novo Regime Jurídico do Ensino da Condução, que tem passado por governos sucessivos sem que tenha ainda sido aprovada, quer resolver. A ideia é que passem a ser as escolas de condução a emitir um documento semelhante. 

O secretário de Estado dos Transportes esteve presente no evento promovido pela ANIECA e condenou o facto de as alterações, muitas para alinhar Portugal com as práticas europeias, obedecendo a directivas comunitárias, não tenham ainda sido postas em prática. 

«Temos, decretada, em 25 de Janeiro passado, pelo Tribunal de Justiça das comunidades europeias, uma infracção contra o Estado português, relativa à transposição» de uma directiva europeia de 2009, sobre «o ensino e a condição automóvel», disse Sérgio Monteiro. «Isto é uma vergonha para Portugal» e «não há nenhuma razão, nem de crise económica, nem de crise financeira» para este atraso. A única explicação é a«desorganização do Estado», uma situação que, reconheceu,«embaraça» as escolas de condução no exercício da sua actividade.

O motor do Estado tem falhado e as escolas de condução estão a ficar para trás na corrida. Fica a promessa de que as novas normas, que incluem ainda, entre outras medidas, o ensino à distância, a possibilidade de parte da formação ser acompanhada por um tutor e a desburocratização da comunicação entre o IMTT e as escolas, entre em vigor dentro de alguns meses.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 20:56 | comentar | favorito