Compra e venda de imóveis em mínimos de duas décadas

APEMIP estima que número de transacções em 2011 seja inferior a 190 mil. Crise mudou hábitos.

O negócio de compra e venda de imóveis deverá ter vivido em 2011 o pior ano das duas últimas décadas. A conclusão, da Associação Portuguesa dos Profissionais e de Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), que tem por base as estimativas de transacções, reflecte a deterioração da economia e da disponibilidade financeira dos portugueses, assim como o agravar das exigências na concessão de crédito.

"O ano de 2011 será provavelmente recordado como de ruptura face às dinâmicas, práticas e paradigmas vigentes no mercado imobiliário nacional ao longo das últimas décadas", refere a APEMIP no catálogo de estudos de mercado de Novembro/Dezembro.

Neste documento, em que analisa o bimestre anterior, a associação refere que "as cerca de 15.000 transacções susceptíveis de serem estimadas para os meses de Setembro e Outubro ficaram 6,8% abaixo do número médio mensal de negócios imobiliários concretizados ao longo dos primeiros dez meses do ano", de cerca de 16.000, o que representa uma queda bimestral na ordem de 7%. A APEMIP considera que esta "dinâmica frágil" não deverá ter-se invertido até final do ano e que as 160.000 transacções que terão sido realizadas nos primeiros 10 meses, "não deverão ser suficientes para garantir" que, no final de 2011, possam ser contabilizados mais de 190.000 contratos de compra e venda, "o que, a confirmar-se, substantivar-se-á como o resultado menos conseguido das duas últimas décadas", salienta no mesmo documento. Este montante representa ainda uma quebra homóloga na ordem de 9,2%.

Alteração no imobiliário acompanha mudanças no país
A justificar esta contracção estão alterações de comportamentos dos portugueses, fruto da actual situação económico-social. O mercado imobiliário nacional "encontra-se hoje sob forte pressão", reflexo de uma crescente restritividade na concessão de crédito à habitação, diminuição do poder de compra das famílias e instabilidade no mercado de trabalho, a que se junta, do lado da oferta, a "lenta reabilitação do mercado de arrendamento residencial".

De acordo com os dados provisórios dos Census, Portugal é um país de proprietários, já que 73,5% da população reside em casa própria. 
Analisando estas estimativas, o presidente da APEMIP, Luís Lima, sublinha, no mesmo documento, que o país "está a mudar" e que esta mudança "reflectir-se-á muito na maneira como todos nós e cada um olhamos para as soluções habitacionais possíveis, reequacionando os próprios sinais que atribuímos à propriedade plena da casa onde habitamos".

A associação considera que as cerca de 190.000 transacções que estimam ter ocorrido entre Janeiro e Dezembro de 2011 "reflectem, de forma não negligenciável, novos dinamismos (que não os assentes no tradicional mercado de compra e venda), assentes em conceitos como os de arrendamento residencial, reabilitação urbana e investimento imobiliário, reinventados e readaptados ao actual mercado e às actuais necessidades que este evidencia".

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 22:40 | comentar | favorito
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