Falências de empresas aumentam 14%

Insolvências de particulares mais do que duplicaram em 2011. Mais de 6 mil pessoas pediram falência, um aumento de 154% face a 2010

A crise económica está a provocar um aumento das insolvências de empresas em Portugal, com os 4.731 processos registados em 2011 a corresponderem a uma subida homóloga de 14 por cento, revelou esta quinta-feira a Crédito y Caución.

No quarto trimestre do ano passado, os níveis de insolvência superaram, pela primeira vez, desde o início da crise, a barreira dos 3 mil processos trimestrais, estando «os sectores com a maior taxa de crescimento de insolvências directamente relacionados com a queda do consumo (como é o caso dos Serviços e Electrodomésticos)», realçou em comunicado a companhia de seguros.

No que toca ao número global de processos de insolvência, que incluem o das pessoas físicas, no ano passado registaram-se em Portugal 10.800 novos casos, o que traduz um crescimento de 65% em relação a 2010. «Quatro em cada 10 processos são relativos a empresas», salientou o estudo do Departamento de Gestão de Risco da seguradora de origem espanhola.

Isto significa que, quanto a pessoas físicas, os 6.065 processos registados traduzem um crescimento de 154% face a 2010.

«O aumento significativo iniciou-se no primeiro trimestre de 2009, ao superar os 1.000 processos e, após sete períodos de crescimento progressivo, o primeiro trimestre de 2010 ultrapassou os 2.000 processos trimestrais. Em apenas três trimestres, registaram-se mais de 3.000 processos de insolvência e, no quarto trimestre de 2011, ocorreram 3.182 novos processos. Este registo trimestral, o maior desde o início da crise económica, representou um crescimento de 79,2 por cento comparativamente a 2010», lê-se no comunicado.

Construção foi o sector mais afectado

O crescimento geral dos níveis de insolvência judicial não aconteceu de igual forma em todos os sectores. Os maiores níveis concentram-se nos sectores directamente relacionados com a queda do consumo. É o caso dos Serviços, um sector muito ligado ao comércio. Neste sector, que representa quatro em cada dez empresas em processo de insolvência, o crescimento do nível de insolvência judicial atinge os 32 por cento. O sector que mais sofreu com a queda do consumo foi o dos Electrodomésticos, com um crescimento de 56 por cento, seguindo-se o da Electricidade com 29 por cento, da Alimentação e Distribuição com 22 por cento e o Automóvel com 16%.

«A situação revelou-se mais grave nas empresas comerciais, já que as empresas industriais, orientadas em grande medida para a exportação, mostraram uma maior resistência à actual crise económica. Olhando para 2012 não há nenhum indício que permita antecipar uma diminuição destes níveis», comentou Paulo Morais, Director da Crédito y Caución para Portugal e Brasil.

Na conjuntura actual, a Construção apresenta-se como o sector com maior número de insolvências, depois dos Serviços. No entanto, os seus números têm estabilizado, um indicador de que o maior ajuste sectorial já ocorreu.

Pela positiva, surgem os sectores Têxtil, onde as insolvências diminuíram em 19 por cento, Peles e Curtumes, Siderurgia, Mineiro e Metalúrgico e o de Bens e Equipamentos. Estes são sectores intrinsecamente ligados à exportação ou à indústria em Portugal.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 22:39 | comentar | favorito
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