Queda da meia hora obriga a «cortar subsídios no privado»

Presidente do ISEG considera que economia vai ter evolução mais negativa do que o previsto, obrigando a mais um Orçamento Rectificativo

João Duque mostrou-se esta quarta-feira «surpreendido» por o Governo ter «deixado cair a meia hora» de trabalho adicional nasnegociações de concertação social. Para o economista, há agora espaço para se reduzir os subsídios de Natal e férias dos trabalhadores do sector privado.

«Isso abre um espaço claro para reduzir os subsídios dos trabalhadores no sector privado», acabando assim com uma situação de «desigualdade» face aos do sector público, que este ano e no próximo não vão receber 13.º nem 14.º mês, atirou.

Duque foi mais à frente e garantiu que a economia portuguesa deverá encolher em 2012 ainda mais do que prevê o Governo, e pode diminuir 4,3%.

O responsável considerou ainda que o Governo deverá ter de fazer mais um Orçamento Rectificativo este ano. «Se querem a minha opinião, é razoavelmente provável que tenha de haver um Orçamento Rectificativo, mais uma vez com recurso às duas formas típicas de o equilibrar: aumento da receita e contracção da despesa», afirmou o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) durante o IV congresso da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que se concluiu em Lisboa.

Duque exibiu um gráfico que mostra que as previsões de sucessivos governos quando ao défice orçamental «desde 1999 a 2010» pecaram sempre por defeito - ou seja, «o resultado foi pior» do que o previsto.

«Sempre que resolvemos fazer dieta, no dia 2 de Janeiro funciona, no dia 3 já esquecemos», disse Duque. «Agora acabou a margem de erro».

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 21:51 | comentar | favorito