“A TV é o entretenimento mais barato em tempo de crise”

Cintra Torres defende que apesar da acelerada e ampla inovação tecnológica, a televisão continua a ocupar espaço na vida das pessoas.

Numa semana marcada pelos debates em torno da TDT - Televisão Digital Terrestre, que arranca agora em Portugal, a "Ideias em Estante" não fugiu ao tema em torno da "caixinha mágica". Objecto economicamente poderoso, este "quadrado", que aparentemente tem muitos concorrentes, continua a ser o preferido. Segundo Nuno Cintra Torres, autor de "Televisão, o nosso medium preferido", a razão é simples e passa por entender que "apesar da acelerada e ampla inovação tecnológica das últimas décadas, a televisão, nas suas mais diversas formas, plataformas e dispositivos de consumo" ocupa um lugar cada vez mais central, para cada vez mais pessoas, em todo o mundo. Afinal, e para este autor, "televisão é tudo o que passa no ecrã". Mais ainda: há cada vez mais pessoas a verem televisão. E até a crise ajuda à materialização desse fenómeno.

Em entrevista, que poderá ser vista na íntegra no ETV, Cintra Torres, que é considerado um dos grandes especialistas nacionais em televisão e media, defende que a função social da televisão e o espaço que ocupa nas vidas das pessoas mantém-se e em alguns casos "até se reforçou".

Falando do actual momento político-económico, Cintra Torres refere que "sempre que têm existido crises económicas o consumo de audio-visual aumenta". Para o consultor de gestão "isso foi descoberto logo com a grande depressão dos Estados Unidos nos anos 30".

Considerando que o padrão se mantém, Cintra Torres afirma que "o consumo de televisão é o entretenimento mais barato que as pessoas podem conseguir num tempo de crise". E o facto é, relembra o autor, que em tempos de crise as pessoas permanecem mais tempo em casa em frente à televisão.

Publicidade

Será que a televisão continua a ser um bom veículo para os anunciantes? "Acho que sim. Só que hoje com a proliferação de canais há uma segmentação muito maior dos consumidores. Os canais generalistas, clássicos, são aqueles que atingem maior quantidade de pessoas num dado momento. E, por isso, também é ali que está a publicidade aos produtos de grande consumo. Mas se quisermos fazer um ‘target' mais apurado e afunilado a segmentos de audiência, então vamos provavelmente escolher canais temáticos. Sabe, por exemplo, que existirão mais mulheres a ver a SIC Mulher; ou que existirão mais homens a ver a Sport TV. E, portanto, vai colocar mais publicidade nesses canais para atingir mais directamente esses segmentos", diz.

Sobre um dos temas quentes do momento, a privatização da RTP, Nuno Cintra Torres afirma que é a favor. "Eu sempre fui a favor da privatização de um canal da RTP ou da entrega a um privado através da concessão. Já há trinta e tal anos que defendo essa ideia".

Aos que referem a publicidade como um dos motivos para se "ter cuidado" com a privatização (uma vez que poderá não existir mercado para todos), Cintra Torres responde dizendo que defende que deve continuar a existir um canal de televisão público. Isso pressupõe que se elimina um canal, dos dois que a RTP tem. "Eu sugiro que este canal generalista nacional não tenha publicidade, mas que tenha ‘product placement' e ‘branded content' (programas patrocinados). Isto liberta publicidade para os canais generalistas actuais, que vivem de publicidade. Se vai haver espaço, ou não, para um outro canal só suportado pela publicidade com toda a franqueza eu não sei. É provável que seja difícil. A maior parte dos canais que surgiram na Europa na última vaga de liberalização e de aparecimento de novos canais privados, não conseguiu deslocar dos cinco, seis por cento".

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 21:48 | comentar | favorito