Farmácias mantêm corte de vendas a crédito de medicamentos

Após reunião com proprietários das farmácias da Madeira, ANF mantém decisão de suspender a venda a crédito a partir de amanhã.

Os responsáveis das farmácias da Madeira decidiram hoje manter a suspensão da venda a crédito de medicamentos a partir das 00h00 de segunda-feira decidida pela Comissão Directiva da Associação Nacional de Farmácias (ANF), na terça-feira passada, que acredita que o corte no fornecimento a partir de 9 de Janeiro é uma situação "transitória".

Fonte oficial da ANF adiantou ao Económico que após a reunião realizada hoje, no Funchal com os proprietários das farmácias da Madeira, "mantém-se a decisão e a partir das 00h00 de segunda feira cessa o fornecimento a crédito de medicamentos à região". A decisão surge após não ter sido realizado o pagamento até sexta-feira [4 milhões da prestação de Dezembro] que permitisse retomar o plano para regularização da dívida em oito anos, que neste momento ascende a 77 milhões de euros. E reforça que a sobrevivência das farmácias depende desse pagamento, porque 80% da sua receita é constituída pelo valor das comparticipações, dando conta que o financiamento bancário deste atraso "é impossível". A partir de amanhã, os beneficiários não verão a comparticipação no preço dos medicamentos logo descontada pelas farmácias no acto de compra.

Segundo a mesma fonte, "o governo tem de assumir os compromissos para o qual foi eleito", considerando, por isso, que as necessidades das famílias madeirenses é também da sua responsabilidade.

ANF espera que corte seja transitório

"Infelizmente, e é com bastante tristeza que efectivamente tivemos que tomar a decisão do corte de crédito aos beneficiários da Madeira", afirmou aos jornalistas Maria da Luz Sequeira, da comissão directiva da ANF, que ontem presidiu a uma reunião, de cerca de duas horas, com representantes das quase 63 farmácias do arquipélago.

Maria da Luz Sequeira explicou, no Funchal, que as farmácias "assim o entenderam", dado não terem "condições para continuar a fornecer a crédito", manifestando esperança numa solução a curto prazo: "Temos a convicção e somos optimistas de que isto será uma situação transitória e que a breve trecho iremos ter a resolução do problema".

A ANF espera que o Executivo madeirense retome o plano de pagamentos, mas até isso acontecer, a partir de segunda-feira os beneficiários terão de solicitar directamente ao Governo Regional "a comparticipação no preço dos medicamentos que até agora era logo descontada pelas farmácias no ato de compra".

Em Dezembro, a ANF tomou igual posição, depois de o Executivo liderado por Alberto João Jardim ter deixado de cumprir o plano, mas recuou na sequência da garantia da sua execução.

O Governo Regional comprometeu-se, então, a regularizar os dois milhões de euros relativos a Novembro e, simultaneamente, continuar a assegurar o pagamento mensal mínimo de quatro milhões de euros, o que não sucedeu, motivando esta decisão, que não afecta as pessoas que têm outros subsistemas de saúde.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

publicado por adm às 21:41 | comentar | favorito
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