Desespero: pedidos de ajuda por causa de dívidas disparam

Ainda agora acabou e 2011 é já um dos anos que vai ficar para a história. Crise, austeridade, Portugal nos braços da ajuda externa pela terceira vez. E as famílias, muitas famílias caíram na espiral do endividamento e viram-se obrigadas a recorrer à DECO. Os pedidos de ajuda ultrapassaram os 23 mil no ano passado.

Estas famílias tinham, em média, cinco créditos. O aperto de cinto fez com que deixassem de conseguir fazer face aos compromissos. Os pedidos de ajuda superaram em 8.500 os do ano anterior, já que em 2010 o balanço foi de 14.500.

Em muitos casos - a maioria mesmo - as situações de sobreendividamento já eram tão complicadas que nem a Deco conseguiu ajudar.

«Tem a ver com o facto de as famílias, quando nos pedem ajuda, o fazerem numa fase muito tardia, muitas vezes já confrontadas com processos em tribunal, até com penhoras de vencimentos e de outros bens, e a nossa intervenção é extra-judicial. O que pretendemos é, precisamente, evitar que as situações cheguem a tribunal», disse à rádio Renascença Natália Nunes, do Gabinete de Apoio ao Sobreendividado.

Depois, há outros casos em que a Deco não pode fazer nada «porque não apresentam qualquer viabilidade de reestruturar, reequilibrar o orçamento». E a maior parte deles são casos de insolvência.

No total, os processos de endividamento que chegaram à DECO aumentaram 51% entre 2010 e 2011.

O boletim estatístico de Dezembro indica que chegaram ao gabinete de apoio ao sobreendividado 4.288 processos no ano passado, quando em 2010 se situaram nos 2.837 processos. A explicação está na conjuntura de crise, já que as causas principais têm a ver com o desemprego e com deterioração das condições laborais, nota a Lusa.

A escalada de aumento de processos esteve sempre em crescimento exponencial ao longo da década: em 2000 existiram 152 processos, em 2003 atingiram-se os 515 processos, em 2007 chegou-se aos 1.976 processos e em 2008 ultrapassou-se a barreira dos 2 mil processos.

Os processos em causa dizem respeito a consumidores «que estão de boa-fé e com manifesta impossibilidade de fazer face ao conjunto das suas dívidas não profissionais», ou seja, todas aquelas que o consumidor assumiu junto das instituições de crédito ou de outro credor «para satisfazer as suas necessidades e as do seu agregado familiar».

Os processos centraram-se maioritariamente em Lisboa e no Porto, sendo que o número de créditos por processo de sobreendividamento é maioritariamente de três (58%). Com mais de dez créditos por processo estão apenas 3%.

Relativamente às causas para o processo de sobreendividamento, em termos percentuais, o desemprego lidera com 31,4%, logo seguido pela deterioração das condições laborais (21,7%), doença (16,4%) e divórcio/separação (10,3%).

A esmagadora maioria dos consumidores que abrem processos de sobreendividamento, diz a DECO, já estão em incumprimento (71%), sendo que 80% o estão entre o primeiro e o sexto mês. Com mais de dois anos de incumprimento estão apenas 2% dos 4.288 processos.

A faixa etária mais atingida situa-se entre os 31 e 50 anos (61%), seguindo a faixa dos 51 e 70 anos (31%), sendo que, em termos de escolaridade, os consumidores que acorrem ao gabinete de apoio da DECO, a maior parte tem o ensino secundário (31%), sendo de assinalar que os consumidores com ensino superior são 13,2% do total de processos.

fonte:_http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 20:07 | comentar | favorito
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