Peritos obrigados a avaliar 16 imóveis por dia para cumprir metas da troika

O Ministério das Finanças calcula que precisa de mais 900 peritos avaliadores, a juntar aos cerca de 500 que já trabalham junto dos vários serviços de Finanças do País, e pediu ajuda à Ordem dos Engenheiros. Ainda assim, cada especialista terá de avaliar, em média, 16 imóveis por dia, única forma de conseguir levar a cabo o processo de avaliação geral dos prédios urbanos que, recorde-se, de acordo com o compromisso assumido com a troika, deverá estar concluída até ao final do ano.

A Ordem dos Engenheiros já lançou um aviso para recolher candidaturas de peritos e admite que estes não terão um trabalho fácil pela frende. "Tendo em conta que há cerca de 5,2 milhões de prédios para reavaliar, cada perito terá de fazer, em média, 16 avaliações por dia para que o trabalho fique concluído até ao final do ano", estima Victor Gonçalves de Brito, vice-presidente nacional.

A avaliação será feita, em grande parte, com base na informação que as Câmara municipais vão fornecer aos peritos, a começar pelas plantas e os alvarás de loteamento dos prédios a analisar em cada município. Os dados seguem por via electrónica, preferencialmente, ou em papel, se as plantas não estiverem informatizadas. E os proprietários só serão incomodados quando a câmara não disponha das plantas dos seus imóveis, tendo então de prestar todo o apoio aos peritos avaliadores.

Se nalguns casos o processo será relativamente fácil, "haverá avaliações muito complexas, já que serão vistos todos os imóveis que não sejam rústicos, desde campos de futebol a matadouros ou a complexos fabris", exemplifica Vítor Gonçalves Brito. Ainda assim, o responsável da Ordem dos Engenheiros acredita que o processo será concluído a tempo: As Finanças "garantem que têm um sistema informático muito afinado , o que facilitará os trabalhos".

Remunerações ainda por definir

Os peritos a recrutar pela Ordem dos Engenheiros deverão ter experiência em avaliações imobiliárias e vão depois receber dois dias de formação específica dada pelas Finanças. O Ministério oferece-lhes um contrato de prestação de serviços e receberão um valor por cada avaliação efectuada. A Autoridade Tributária e Aduaneira (ex-DGCI) avisou já que "prevê que a função de perito local exija disponibilidade total" e também que "não serão pagas despesas de deslocação".

As remunerações aos peritos ainda não foram definidas, mas deverão ficar abaixo dos valores que recebiam em regra os peritos locais. Isto porque a avaliação geral de imóveis não exige, como acontecia até agora, uma deslocação ao local, sendo quase todo o trabalho feito a partir do computador. Até agora, o valor que o Fisco paga por cada avaliação varia de acordo com uma complexa tabela, mas ronda, em média, os 20 euros.

fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/i

publicado por adm às 23:28 | comentar | favorito