Massacre em Oslo foi o pior desde a Segunda Guerra

Principal suspeito confessa que agiu sozinho e admite que massacre foi “atroz mas necessário”.

O rei Harald V com os olhos lacrimejantes, o primeiro-ministro com a voz embargada, políticos e centenas de pessoas em clima de grande pesar assistiram ontem à missa, na catedral de Oslo, pela alma dos 93 mortos no duplo atentado que ocorreu na sexta-feira na Noruega. Durante a missa, de hora e meia, o silêncio foi absoluto. Sob os ‘flashes' de fotógrafos do mundo inteiro, muitas pessoas depositaram flores e acenderam velas na esplanada situada em frente à catedral. "Deixamos flores porque a tragédia que atingiu a Noruega e o mundo inteiro assustou-nos muito e queremos mostrar o nosso mais profundo pesar", disse Trude-Mette, 43 anos, citada pela Reuters, que trabalha em Oslo, enquanto ela e os seus filhos choravam.

"Isso é uma tragédia nacional" declarou o primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, com a voz bastante embargada, referindo-se ao massacre, considerado já o pior no país desde a Segunda Guerra, numa nação tradicionalmente pacífica de 4.8 milhões de pessoas.

O pesado luto terá sido provocado por um norueguês que já assumiu que agiu sozinho e classifica a sua acção de "atroz, mas necessária" para terminar com política liberal de imigração e o crescimento do islamismo. Este foi o primeiro comentário de Anders Behring Breivik, 32 anos, desde a sua prisão. Através do seu advogado disse que quer explicar-se em tribunal, na segunda-feira, numa audiência que vai discutir a duração da custódia.

"Ele disse que acredita que a acção foi atroz, mas na sua cabeça ela foi necessária", afirmou o advogado Geir Lippestad para o jornal da TV2, acrescentando que Breivik já confessou ter sido o responsável pelas execuções no acampamento da juventude do partido trabalhista e pelo ataque à bomba contra prédios do governo na cidade de Oslo que aconteceu um pouco antes no mesmo dia [sexta-feira passada].

O chefe da polícia de Oslo Sveinung Sponheim confirmou aos jornalistas que Breivik poderia falar em tribunal. Mas não está claro se a audiência será aberta ou fechada ao público. "Ele admitiu os factos do ataque à bomba e do tiroteio, mas não admite ter culpa criminal" disse Sponheim, acrescentando que Breivik confessou ter agido sozinho. A Polícia ainda está a confirmar a veracidade das declarações, já que algumas testemunhas na ilha relataram terem visto mais do que um atirador, afirmou ainda Sponheim.

As autoridades prenderam várias pessoas numa acção feita numa casa anexa a um armazém a Norte de Oslo, revelou um advogado da polícia, citado pela Reuters. Os alegados suspeitos foram entretanto libertados ao longo do dia ontem e a justificação é a de que não tinham relação com os ataques.

Manifesto contra muçulmanos
O chefe de polícia Sponheim confirmou ainda que Breivik publicou um manifesto de 1.500 páginas contra o Islão na passada sexta-feira.

O manifesto ‘online', escrito em inglês, descreve como foi planeado o ataque e como terão sido feitos os explosivos, além de revelar a sua violenta filosofia. Segundo a alegada missiva, as mortes poderiam atrair a atenção para o manifesto "2083-Uma declaração europeia de independência". Um documento que, segundo a edição digital de ontem do diário norueguês "VG", terá sido copiado de um texto do terrorista americano Ted Kaczynski, conhecido como "Unabomber", que entre 1978 e 1995 matou três pessoas, tendo enviado até 16 bombas a alvos diversos, como universidades e companhias aéreas.

As forças de segurança norueguesas estão a analisar o conteúdo do documento, que declara "guerra de sangue" a imigrantes e marxistas e que foi divulgado na internet na própria sexta-feira, poucas horas antes dos dois ataques.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 21:57 | comentar | favorito