Famílias poupam cada vez menos

As remunerações médias por trabalhador caíram pela primeira vez desde 1999.

As famílias estão a poupar cada vez menos. Apesar da quebra verificada no consumo, a redução dos rendimentos foi ainda mais forte, impossibilitando a manutenção da poupança, mostram os dados divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Do conjunto dos rendimentos brutos recebidos durante o ano que terminou em Setembro, as famílias colocaram de parte 8,9%. Este valor ficou aquém dos 9,1% registados em Junho e é o mais baixo desde o segundo trimestre de 2009.

O relatório do INE explica que a poupança corrente registou uma quebra de 2,2% "em resultado de uma diminuição do rendimento disponível das famílias mais intensa (-0,3%) que a do respectivo consumo final (-0.1%)". Ou seja, quer dizer que "as famílias ainda não ajustaram, no ano que terminou em Setembro, o seu ritmo de consumo ao da evolução dos seus rendimentos", explica a economista Paula Carvalho, do departamento de research do BPI. 

Apesar da redução da poupança se verificar pelo quinto trimestre consecutivo, a especialista prevê uma inversão de tendência nos próximos meses. "A expectativa é que a taxa de poupança volte a aumentar, apesar da queda dos rendimentos", garante, explicando que as famílias deverão intensificar "o adiamento da compra de bens não essenciais e a redução dos consumos".

Mas, por enquanto, o resultado da diminuição da poupança reflecte-se na redução da capacidade de financiamento das famílias, que caiu de 3,6% para 3,4%. O INE frisa que esta foi a primeira vez que as remunerações médias por trabalhador caíram, desde que há registos (1999). A contracção justifica-se pela redução média de 2% das remunerações pagas pelas administrações públicas, contrabalançada por uma quase estagnação dos salários no privado, que variaram 0,2%. A estes valores falta descontar a inflação, que tem evoluído em torno dos 3% e que também retira rendimento disponível.

Empresas ficam mais dependentes de financiamento

À semelhança das famílias, também as empresas atravessam dificuldades. O relatório do INE mostra que as suas necessidades de financiamento - que é o equivalente ao défice das administrações públicas, mas no conjunto das empresas - aumentaram de 5,1% para 5,5%. Este agravamento do défice poderia ter sido ainda maior, não fosse o corte a direito no investimento, que registou uma queda de 20,5%.

Já a banca aumentou as suas capacidades de financiamento, passando de um saldo positivo de 2,7% para 3,1%. Estes resultados são consistentes com o esforço de recapitalização que os bancos têm vindo implementar ao longo deste ano.

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 16:43 | comentar | favorito
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