Governo quer entregar controlo da EDP aos alemães

Posição de 20,9% da eléctrica nacional pode ser vendida à RWE, controlada em 21% pelo Estado alemão

 

Pedro Passos Coelho terá dado indicações para a Parpública vender ao grupo alemão de energia RWE o bloco de acções da EDP que ainda permanece nas mãos do Estado português, avança o «Público».

Em causa está uma posição de 20,9% do capital da EDP, que deverá passar para mãos privadas, no âmbito do plano de privatizações que o Governo desenhou para este ano e que estava previsto no acordo com a troika.

Segundo o jornal, o Governo já terá mesmo mandatado uma equipa de advogados para estudar a venda da posição ao gigante alemão. A RWE, que voltou recentemente a ser a maior empresa do sector na Alemanha, conta com vários bancos alemães no seu capital e é controlada directamente em 16% pelo Estado da Renânia do Norte-Vestfália e em mais 5% pelo Tesouro alemão. Ou seja, o Estado alemão controla 21% da empresa.

O «Público» tentou obter um comentário do gabinete do primeiro-ministro, mas este remeteu para o Ministério das Finanças, que optou por não se pronunciar.

Nas últimas semanas, Londres tem sido palco de várias reuniões, envolvendo decisões ligadas ao programa de privatizações que Passos Coelho está a preparar, diz o jornal, segundo o qual o processo está a ser liderado pelo gabinete do chefe do Governo, e está centrado em Carlos Moedas, o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, contando com o envolvimento directo do ministro das Finanças, Vítor Gaspar. 

Recorde-se que uma das apostas estratégicas de António Mexia, presidente da EDP, era aproveitar a privatização da eléctrica para constituir uma estrutura de capital que não fosse dominada por um único accionista, o que contraria a perspectiva do actual Governo. É neste contexto que Mexia tem mantido contactos com várias empresas do sector, como é o caso da chinesa China Power, da brasileira Eletrobras, e de uma empresa eléctrica franco argelina.

Já este mês, a agência Dow Jones noticiou que a China Power está em conversações para ficar com uma participação de 2,5 a 5% da EDP, no âmbito da privatização da empresa portuguesa. 

Segundo o «Jornal de Negócios», 20,9% que a Parpública detém na EDP estão avaliados em 1,9 mil milhões de euros.

O presidente da mesa da assembleia-geral, Rui Pena, convocou ontem, por indicação do accionista Estado, uma assembleia-geral de accionistas da EDP para o dia 25 de Agosto destinada a pôr fim aos direitos que a Parpública (sociedade gestora de participações sociais que agrupa as posições do Estado no universo empresarial) detém na empresa.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

publicado por adm às 11:23 | comentar | favorito
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