Carros em “saldo” podem minimizar quebra de vendas

As promoções no preço dos automóveis e o aumento da fiscalidade em Janeiro podem incentivar as compras nos últimos dias do ano.

Se está a pensar comprar um carro novo então esta é a melhor altura para o fazer. É que assim vai evitar o aumento do preço dos automóveis já a partir de Janeiro, devido à alteração fiscal, como também aproveitar as promoções que as marcas estão a fazer no mercado nacional.

Renualt, BMW, Hyundai, Chevrolet, Škoda, Ford, Opel, Mercedes-Benz e Peugeot são algumas das marcas que estão a efectuar promoções no preço de venda ao pública, oferta do IVA, em soluções de financiamentos e até em equipamentos extras.

Todos os fabricantes contactados pelo Diário Económico, não escondem a falta de optimismo, devido às condições económico-financeiras da população em geral que são manifestamente piores dos anos anteriores.

Normalmente, sempre que se falava em aumento de imposto automóvel registava-se um acréscimo de vendas, em particular no final do ano, mas "este é um ano diferente para pior e efectivamente esse acréscimo de procura não é infelizmente, pelo menos, para já percepcionado", refere Luis Camões, relações públicas do grupo Entreposto VH (Hyundai). A fabricante coreana tem várias iniciativas promocionais a decorrer.

As marcas defendem que o cliente está, cada vez, mais racional e num contexto de recessão, poucos são os que arriscam comprar carro e contrair empréstimo. Nuno Marques, responsável do departamento de produto da Peugeot Portugal, realça que "com o contexto actual e apesar do aumento previsto do ISV para 2012, prevemos que possa haver um aumento da procura, mas não tão acentuado como tem acontecido nos últimos anos devido ao corte do subsídio de Natal." A Peugeot estima que o mercado em Dezembro tenha uma quebra de 50% face ao mesmo mês do ano anterior.

No início do próximo ano os impostos vão aumentar, o que terá como consequência o aumento dos preços dos veículos. O cálculo feito pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) resulta um acréscimo de Imposto Sobre Veículos (ISV) de 6,4%, sendo o aumento de 5,3% na tabela de cilindrada e de 7,5% nas emissões de CO2.

Promoções em destaque

A Renault, líder de mercado há 13 anos, está a levar a cabo uma campanha de preços "chave na mão" para a gama Clio a gasolina (motor 1.2 75 cv) onde os preços comunicados são exactamente aqueles que o comprador terá de pagar sem "surpresas" adicionais. Além desta campanha "mantemos em vigor o nosso próprio programa de veículos para abate com valorizações do veículo para abate (com mais de oito anos) que podem atingir os 1600 euros", explica Ricardo Oliveira, director de comunicação da Renault Portugal.

No caso da norte-americana Chevrolet, que comemora os seus 100 anos, tem em curso uma "fortíssima campanha que proporciona condições muito atractivas para os clientes até 31 de Dezembro", diz Nuno Heleno. O director de comunicação da Chevrolet realça que a campanha gira em torno do ‘100': por exemplo com soluções de financiamento de 100 euros/mês durante 100 meses. Também a americana Ford "continua com a campanha o ‘Abate Ford' que oferece até 4.000 euros pela troca do veículo do cliente para abate", diz fonte oficial.

Orlando Teixeira, director da Škoda, salienta que "os preços competitivos associados aos equipamentos, tecnologia e aos custos de utilização representam uma oferta ‘value for money'." Por exemplo, a gama Fabia tem preços a partir dos 11.990 euros com um equipamento bastante completo.

No caso da alemã Opel, as campanhas foram reforçadas e "dependendo dos modelos e das versões, os incentivos que podem chegar a 5.000 euros", acrescenta Miguel Tomé, director de comunicação da marca. João Trincheiras, director de comunicação BMW, acredita que a "queda andará na ordem de grandeza da registada em Outubro (cerca de 40%), e que as nossas marcas terão uma performance idêntica ao registado até à data." Também esta marca do segmento médio alto está a fazer algumas promoções nalguns modelos.

 

ENTREVISTA

Hélder Pedro, 
secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal

"Não se prevê que haja uma antecipação de compra no final do ano"

A ACAP prevê que as vendas de ligeiros em 2011 fiquem sejam as mais baixas desde a liberalização do mercado automóvel, em 1988.

Em períodos normais de mercado sempre que se fala em aumento de imposto automóvel regista-se um acréscimo de vendas. Acredita que irá acontecer isso neste final de ano?

Apesar de estarem previstos aumentos significativos no Imposto Sobre Veículos, para 2012, não se prevê que, por esse motivo, haja uma antecipação de compra no final do ano. E isto devido à grave situação de crise económica assim como às medidas anunciadas ao nível dos cortes de subsídios (quer já este ano no subsídio de Natal quer no próximo ano nos subsídios da Função Publica).

Este ano, quais as previsões de vendas para os ligeiros de passageiros?

Assim, prevê-se que o mercado de veículos ligeiros de passageiros feche o ano com um valor de 156 mil unidades. Apesar de este ser o valor mais baixo desde a liberalização do mercado automóvel, em 1988, é possível que aquele valor seja ainda inferior.

Quais as previsões para 2012?

Para 2012, as perspectivas são ainda piores e, neste momento, é difícil fazer uma previsão dado que existem variáveis importantes (como o consumo privado ) que poderão ainda ser revistas em baixo. Deste modo prevê-se uma considerável descida de mercado face a 2011.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

 

publicado por adm às 15:23 | comentar | favorito