Dívidas: pedidos de ajuda à DECO disparam 60%

Só este ano, 21.832 famílias pediram já ajuda à DECO devido a situações de sobreendividamento. O valor representa uma subida de 59,1% face aos 13.716 registados em 2010, avança o «Público».

A associação de defesa do consumidor receia que este número sem precedentes continue a disparar nos próximos anos, fruto do aumento do desemprego, da subida do custo de vida e das medidas de austeridade anunciadas pelo Governo.

Do total de famílias que recorreram ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividamento (GAS) entre Janeiro e Novembro, apenas uma parte está a receber apoio efectivo. Isto porque a associação só trata casos em que a situação de sobreendividamento não é causada pelo próprio, mas sim por situações imprevistas, como o desemprego ou a doença. E também porque muitas pessoas só pedem ajuda quando «o processo já está muito avançado e já estão em tribunal ou não há qualquer possibilidade de recuperação», explicou Natália Nunes, coordenadora do GAS, ao jornal.

Feita esta triagem, foram 4.008 as famílias que reuniram as condições para receber auxílio, o que, tal como no registo de contactos, também significa um aumento substancial de 50,8% face a 2010. 
Lisboa é a região mais afectada do país, representando 38,3% do total de 4008 processos abertos este ano. Seguem-se o Norte (30,1%) e o Algarve (9,5%). 

O desemprego é a principal razão apontada pelas famílias para se encontrarem em dificuldades financeiras, com um peso de 31,4%. Logo a seguir surge a deterioração das condições laborais (21,7%), associada a cortes nas remunerações ou a atrasos no pagamento dos salários, por exemplo. Além destes motivos, a situação de sobreendividamento também é justificada com doença (16,4%) e divórcio ou separação (10,3%). 

A maioria das famílias em dificuldades tem entre um e sete créditos. Mas 11,8% acumulam entre oito e dez empréstimos por pagar e 3,5% ultrapassam os dez créditos. A grande fatia regista um atraso de um a seis meses no cumprimento das obrigações financeiras mas há 2% com demoras superiores a 24 meses.

A renegociação com entidades financeiras foi a justificação apontada por mais pessoas (44,4%) para não terem solicitado o apoio mais cedo. Outras 34,5% referiram que tinham confiança na melhoria da situação, o que a coordenadora do GAS considerou surpreendente. «É uma questão cultural e de falta de literacia financeira. Chega a ser constrangedor estas pessoas acharem que a situação pode melhorar», afirmou Natália Nunes.

Quase 80% das famílias tem hábitos de poupança «reduzidos» e menos de metade tem como rotina elaborar um orçamento familiar todos os meses.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

 

publicado por adm às 22:50 | comentar | favorito
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