Incidentes com piquetes em Lisboa marcam início de greve geral

Ao início da manhã, são já visiveis os efeitos da greve geral em vários sectores, com registo de alguns incidentes. Em Cabo Ruivo, no centro de recolha da Carris, a PSP foi chamada para afastar o piquete de greve quando um dos autocarros saiu do recinto. Também na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, a polícia teve de intervir devido a problemas entre o piquete e a administração. Em Oeiras, alguns carros de recolha do lixo foram bloqueados pelo piquete de greve.

Agentes do Corpo de Intervenção da PSP  permitaram, ao fim de duas horas, a saída em Oeiras de cinco carros da recolha  do lixo, impedida por um piquete de greve, informou hoje fonte sindical.

Em declarações à Agência Lusa, Helder Sá, coordenador da comissão sindical  do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) na autarquia  de Oeiras, disse que os primeiros três carros de recolha do lixo (de um  total de cinco) saíram, por um portão secundário, à 01:00, com a ajuda do  Corpo de Intervenção da PSP, que barrou o seu acesso ao piquete de greve. As viaturas, de um total de cinco de 11 previstas para o turno que se  iniciava às 23:00, foram impedidas de sair por 25 elementos do piquete de  greve, informou anteriormente a fonte. 

O piquete de greve que esta noite tentou entrar  na Maternidade Alfredo da Costa (MAC) foi barrado pelo segurança de serviço,  que alegou cumprir ordens da administração, disse uma dirigente do Sindicato  dos Enfermeiros Portugueses à Agência Lusa. 

De acordo com a enfermeira Isabel Barbosa, é normal em todas as greves  que um piquete, neste caso de duas pessoas, entre nas instalações para registar  as adesões e zelar pelo cumprimento dos serviços mínimos. 

"A greve geral começou no início do turno das 22:00 e chegámos aqui  à porta das Urgências pelas 22:15, mas o segurança não nos deixou entrar,  por ter ordens superiores nesse sentido", explicou à Agência Lusa. 

Transtornos nos transportes e nos aeroportos,  escolas, tribunais e repartições públicas fechadas, consultas médicas e  cirurgias canceladas serão algumas das consequências da greve geral marcada  para hoje. 

Os efeitos da greve já se começaram a sentir nos transportes públicos,  que iniciaram a paralisação na noite de quarta-feira e prometem ser os que  mais diretamente afetarão os cidadãos durante o dia, também pelo consequente  aumento de tráfego de automóveis nas principais cidades.  

A paralisação dos serviços de recolha de lixo, que começou quarta-feira  à noite, e dos transportes públicos prestados por empresas municipais deverão  igualmente afetar um elevado número de pessoas. 

Nos centros de saúde e hospitais há fortes probabilidades de haver o  cancelamento das consultas e adiamento das cirurgias programadas, estando  assegurados apenas os serviços de urgência, tal como sucede com os sapadores  bombeiros.  

Os funcionários da rede diplomática também vão aderir à greve e, segundo  estimativas do sindicato, a adesão rondará os 60 por cento. 

Em setores como os transportes públicos, saúde e justiça a lei prevê  a garantia de serviços mínimos, mas, como em greves anteriores, a falta  de acordo entre os sindicatos e as administrações das empresas envolvidas  impede apurar com antecedência que serviços vão efetivamente funcionar.

A greve geral vai ser acompanhada de 34 manifestações promovidas pela  CGTP em todas as capitais de distrito e em vários concelhos do país. 

Esta é a terceira greve geral em que a CGTP e UGT se juntam, mas apenas  a segunda greve conjunta das duas centrais sindicais portuguesas já que  em 1988 a CGTP decidiu avançar e a UGT, autonomamente, também marcou uma  greve geral para o mesmo dia. 

fonte:http://sicnoticias.sapo.pt/e

publicado por adm às 08:28 | comentar | favorito
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